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09/03/2010 - 07h05

HPS mais perto de Venâncio Aires

HPS mais perto de Venâncio Aires
Foto: Lula Helfer

O Hospital de Pronto-Socorro Regional (HPS) está mais próximo de se tornar realidade em Venâncio Aires do que em Santa Cruz do Sul. A prefeita Kelly Moraes, que debateu o assunto em duas reuniões realizadas ontem, quer mais tempo para avaliar os custos de manutenção da estrutura. Enquanto isso, o presidente do Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale), Mario Rabuske, já olhou terrenos situados em território venâncio-airense, que comportariam a construção do HPS.

No final da semana passada, Rabuske, também prefeito de Sinimbu, disse que a segunda-feira seria a data limite para Kelly se decidir sobre o assunto. O andamento da questão está emperrado desde o aparecimento de um laudo apontando que metade do terreno escolhido para abrigar o HPS, em Linha Santa Cruz, seria área de preservação ambiental. Mas, para a prefeita, o terreno não é o maior dos problemas.

“A discussão sobre a área está em segundo plano. Nossa maior preocupação é como ocorrerá o custeio da manutenção do hospital”, disse a prefeita ontem, após duas reuniões sobre o assunto. A primeira, de manhã, foi com vereadores da base governista. A outra, no fim da tarde, contou com a presença dos diretores dos dois hospitais da cidade, de secretários municipais, vereadores e lideranças ligadas à Assemp, ACI, CDL, Sindilojas, União das Associações de Moradores de Bairros, Unisc e projeto Santa Cruz Novos Rumos.

O tom dos debates seguiu uma linha unânime. Todos que pediram a palavra concordaram que o HPS seria um grande avanço sob o aspecto do atendimento a pacientes, mas também demonstraram muita preocupação com o gerenciamento dos custos e sustentaram haver poucas informações sobre o assunto. Concluiu-se que a questão deveria ser melhor avaliada. Diante disso, Kelly, também presidente da Associação dos Municípios do Vale do Rio Pardo (Amvarp), convocou os prefeitos da região para uma reunião na manhã da próxima quarta-feira.

“Temos que aprofundar estes estudos. Peço que o prefeito Mario tenha um pouco mais de paciência”, afirmou Kelly. No entanto, o presidente do Cisvale demonstra estar com a paciência esgotada. Ele já andou olhando terrenos em Venâncio Aires ontem, antes de seguir para Santa Catarina, onde cumpre agenda. “Esta questão já se arrasta há muito tempo. Os prefeitos já não querem mais reuniões sobre isso, querem uma resposta definitiva de Santa Cruz”, disse Rabuske.

TERRENOS

Segundo Mario, em Venâncio há pelo menos cinco terrenos propícios para a construção do HPS. Um deles, situado às margens da RSC–287, em Linha Hansen, pertence a um empresário que manifestou interesse em doar a área. Outro terreno fica nas proximidades dos pardais situados abaixo do Restaurante Casa Cheia e os demais nos arredores da RSC–453, que segue para Lajeado.

Desta vez Mario preferiu não estipular prazos concretos para a resposta da prefeita de Santa Cruz, mas adiantou que não pretende levar a discussão muito adiante. Também revelou que não estará presente na reunião de quarta, pois tem uma agenda a cumprir na Capital, e disse acreditar que poucos prefeitos estarão no encontro, por já terem compromissos marcados fora da região. Por fim, ainda atribuiu o impasse a questões políticas, justificando que o processo de implantação do HPS começou na administração municipal anterior.

Receio é de pagar a conta dos outros


Kelly reuniu lideranças para discutir a viabilidade do HPS em Santa Cruz. (Foto: Agência Assmann/Lula Helfer)

Conforme um relatório confeccionado pelo Cisvale, Santa Cruz pagaria mensalmente, para a manutenção do HPS, R$ 1,50 por habitante, o que significa R$ 180 mil mensais. Ao todo, 68 municípios da região dos vales, beneficiados pelo hospital, participariam do rateio, com valores que variam de acordo com a população. A tabela do Cisvale, apresentada na reunião da tarde de ontem pelo vice-prefeito Luiz Augusto Costa a Campis, também prevê o repasse de R$ 350 mil da União e R$ 400 mil do Estado.

“Tais valores são meras estimativas. Ainda não há nenhum documento assinado, garantindo o repasse destes recursos pelos governos estadual ou federal”, ressaltou Campis. O vice-prefeito ainda demonstrou preocupação diante da possibilidade de ocorrer inadimplência por parte de municípios beneficiados. “Se isto acontecer, a cidade onde estiver o HPS pagará a conta dos devedores”, disse.

Campis também revelou ter ouvido falar de comentários atribuindo sua posição, diante do caso, às ligações com a Unisc, da qual foi reitor. Atualmente, a universidade administra o Hospital Santa Cruz. “Estão espalhando boatos, mas não falam isto na minha frente. Tenho aqui os números que justificam minha preocupação.”

FONTANA

O deputado federal Henrique Fontana (PT) visitou ontem a prefeita Kelly e o vice Campis e recomendou “cautela” na questão envolvendo o HPS. Ele estima que a manutenção da estrutura atinja a cifra de R$ 36 milhões ao ano. O deputado também confirmou a liberação de R$ 500 mil, da União, para obras de melhoria no Acesso Grasel e adiantou estar aprovada a destinação de verba para a construção de uma escola infantil para atender os bairros Aliança e São João.

Riscos não intimidam o prefeito Airton Artus

O receio quanto ao custo de manuteção do HPS, citado pela administração de Santa Cruz, não intimida o prefeito de Venâncio Aires, Airton Artus. Ele garantiu não ter interesse em entrar em conflito com Kelly Moraes, mas destacou que aceita receber o hospital caso a prefeita de Santa Cruz não demonstre interesse na obra. Artus defende que a região não pode ficar sem o HPS.

“A questão em torno dos gastos é um risco que deve ser corrido. Com medo, não há progresso. Enquanto se discute custos, há pessoas polifraturadas sem a atenção devida.” Artus também acredita que o processo movido pelo Hospital São Sebastião Mártir (HSSM) contra a prefeitura de Venâncio não deverá influir na questão do HPS. A direção do HSSM cobra na Justiça o ressarcimento de R$ 8 milhões gastos pela instituição em atendimentos. Já o prefeito diz que tal dívida não existe e fala em “falhas na administração do hospital”.



fonte: Jornal Gazeta do Sul
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Comentários

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Adilson Jochan
10/03/2010 - 00h16 | 187.52.xxx

"Não entendi a colocação do Sr. Sérgio... acho que leigo no assunto é ele, pois não se deu ao trabalho nem de ler todas as metérias sobre o assunto: - Matéria 75594 no site da Gazeta: "...As discussões em torno do HPS não são novas, mas foram retomadas há cerca de três anos, ainda na gestão de José Alberto Wenzel, quando chegaram a ser debatidas diferentes localizações para o complexo. Em 2008 surgiu como proposta o lote da RSC-287..." - Matéria 75461 no site da Gazeta: "Até dia 31, os parlamentares devem encaminhar as emendas buscando os recursos." Então gostaria de avisar-lhe que é bom se informar antes de falar. Nenhum prefeito esta "apressadinho", pois o assunto já tem vários anos. O prazo final para encaminhar emendas é 31/03. Então ou doam o terreno e assumem o HPS, ou outro município faz isso, é uma questão muito simples. A população não pode ser novamente prejudicada pela falta de competência da administração de Santa Cruz. Aliás Sr. Sérgio, a estrada até Sinimbu é de responsabilidade do estado e não do município."
Sergio Sulzbacher
09/03/2010 - 10h53 | 187.66.xxx

"É lamentavel como leigos no assunto estão tentando apressar a definição do HPS.É preciso tratar isto com coerencia e responsabilidade e sem paixões politicas mesquinhas.Porque o Prefeito de Sinimbu está com este poder de definir prazos e colocar toda esta pressão para a Prefeitura de Santa Cruz? Bom senso Srs.Prefeitos apressadinhos..Aliás,já podemos ir á Sinimbu?A estrada já está transitável?"
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