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10/03/2010 - 19h25

Piñera vai assumir sob a marca do terremoto no Chile

Piñera vai assumir sob a marca do terremoto no Chile
Foto: Divulgação

Sebastián Piñera Echenique, o primeiro presidente de direita a ser eleito em 52 anos no Chile, assume nesta quinta-feira, 11, com a pesada carga de ter de reconstruir uma grande parte do país devastada pelo terremoto e pelo tsunami de 27 de fevereiro.

A tragédia causou cerca de 500 mortes e deixou uma quantidade indeterminada de desaparecidos, além de ter destruído ou deixado sem condições de moradia 500 mil casas. Só de infraestrutura pública, portuária e aeroportuária, além de hospitalar, os danos calculados são de US$ 5 bilhões.

Piñera, de 60 anos, um abastado empresário com fortuna estimada em mais de US$ 2 bilhões, anunciou que, por isso, a prioridade de sua gestão será a reconstrução. Seus planos de governo abrangem gastos de US$ 12 milhões para recuperar mais rapidamente a economia e a criação de 1 milhão de empregos em quatro anos de governo para controlar a delinquência e fortalecer a debilitada seguranças pública, entre outros pontos.

Para enfatizar que a reconstrução será sua prioridade, seu primeiro compromisso público após assumir o cargo, na quinta-feira, será uma visita à cidade de Constitución, 361 quilômetros ao sul e um dos lugares mais devastados pelo terremoto e pelo tsunami que se seguiu.

Piñera receberá a presidência das mãos da popular pediatra Michelle Bachelet, a quem criticou no começo de seu governo ao afirmar que, ante alguns problemas como uma rebelião estudantil e falhas na implementação de um inovador plano de transporte para a capital, ela não deu conta do recado.

Surpreendentemente, apesar de ter derrotado a coalizão de centro-esquerda que governou o país nos últimos 20 anos, a popularidade de 84% com a qual Bachelet deixa o cargo representará para ele um obstáculo difícil de superar. Tanto, que Piñera já disse que manterá a rede social tecida pela primeira mulher a ser eleita presidente na história chilena.

Durante a campanha, Piñera, engenheiro com doutorado em Harvard, afirmou que com a chegada da direita ao poder se inicia uma mudança, embora, além do anúncio de que não mudará a estrutura social criada por sua antecessora, antecipou um intenso contato com o povo, como fazia Bachelet, o que lhe valeu ser considerada "querida pelos chilenos" por 96% da população, segundo uma pesquisa divulgada na terça-feira.

O impacto do terremoto deve conter ou diminuir as exigências de vários sindicatos.

Politicamente, o terremoto também o favorecerá pela mudança da disposição da ressentida coalizão de centro-esquerda que, após o triunfo de Piñera recusou um acordo nacional. Mas agora, convém moderar as atitudes por causa do estado de emergência e prestar apoio aos planos de reconstrução do novo presidente.

Piñera receberá a faixa presidencial numa cerimônia sóbria, que será realizada ao meio-dia de quinta-feira na sede do Congresso, no porto de Valparaíso, 120 quilômetros ao noroeste da capital. Ele será empossado pelo provável novo presidente do Senado, o democrata-cristão Jorge Pizarro, que deve ser escolhido para o cargo pela pequena maioria que os legisladores opositores terão na câmara alta.

Na Câmara dos Deputados, a aliança de direita que governará com Piñera contará com a presidência graças a um acordo com três legisladores que deixaram o atual governo.

Na véspera de seu juramento, o novo presidente se reuniu com delegações e dignitários estrangeiros e à tarde deveria jogar uma partida de futebol com o presidente boliviano Evo Morales.

Morales é um dos sete governantes que assistirá a transmissão de mandato e chegou à capital com um novo carregamento de ajuda para as vítimas do terremoto.

O primeiro a chegar foi o Príncipe de Asturias. Também havia chegado para a posse o presidente colombiano Alvaro Uribe, além dos chefes de Estado da Argentina, Uruguai, Equador e da Costa Rica. Na quinta-feira, chega ao país o presidente do Peru, Alan García.

As informações são da Associated Press.



fonte: Agência Estado
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