Pela segunda vez consecutiva, as escolas estaduais do Vale do Rio Pardo e do Centro-Serra começaram o ano letivo com o quadro de professores completo. É o que confirma a titular da 6ª Coordenadoria Regional de Educação (6ª CRE), professora Gardênia Goettert. Entretanto, o Cpers/Sindicato garante que ainda há déficit de profissionais. Atualmente, 3.205 docentes trabalham nas 109 instituições de ensino – até dezembro eram 117 – dos 18 municípios de abrangência da coordenadoria.
De acordo com Gardênia, a organização dos recursos humanos vinha sendo trabalhada desde o ano passado. Em novembro, os educandários foram orientados a remeter o pedido de designação dos professores, envolvendo, por exemplo, a troca de escola ou cidade. Além disso, um levantamento foi realizado para identificar benefícios como licenças ou aposentadorias. No total, foram registradas mais de 150 solicitações.
As direções encaminharam uma avaliação de seus professores e funcionários. “Isso também faz parte da organização”, destaca. Ela diz que a situação confortável na região deve ser comemorada. O planejamento iniciou a partir de um encontro com diretores novos e reeleitos. Para evitar a falta de professores, que se repete todos os anos em várias cidades do Estado, a 6ª CRE levou em conta até mesmo a formação das turmas.
O diretor do 18º Núcleo do Cpers/Sindicato, com sede em Santa Cruz do Sul, Jânio Weber, contesta a informação e alerta que faltam docentes na região, principalmente de língua espanhola. “Recebemos denúncias. Mais uma vez lamentamos essa atitude, que não é verdadeira.” Segundo ele, o governo promove, na verdade, contratos temporários, o que prejudica a qualidade da educação. “Existe falta de comprometimento. Qual a perspectiva de manter o trabalho se ele (professor) não sabe se vai continuar?”, questiona, lembrando que as admissões valem até dezembro.
A coordenadora ressalta que o pedido de um contrato já foi encaminhado à Secretaria Estadual de Educação e o docente atuará na disciplina de língua espanhola em Santa Cruz e Rio Pardo. “Outros já estão fazendo exames médicos para trabalhar em Vera Cruz e Sinimbu”, assegura. A única carência – relativa a três horas – é verificada em Candelária, mas Gardênia salienta que o problema está sendo resolvido. Cerca de 13,2 mil docentes que lecionam nas escolas estaduais não são concursados, enquanto 66 mil são efetivos no Rio Grande do Sul.
Limite de alunos
O diretor do 18º Núcleo do Cpers/Sindicato, Jânio Weber, criticou a aglomeração de alunos em salas. “Chega a ter 50 às vezes. Não há como ter qualidade ou adquirir conhecimento dessa forma. Isso não é cursinho”, reclama. A coordenadora regional Gardênia Goettert afirma que uma norma do Conselho Estadual de Educação prevê que no ensino fundamental (1º e 2º anos) o limite é de até 25 alunos. Para 3º e 4º anos, o número permitido é de 30. Nas séries finais (5ª a 8ª), varia de 30 a 39 e, no ensino médio, a legislação estabelece de 35 a 50 estudantes.