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31/07/2010 - 10h23

Morte de idosos desafia a polícia

Morte de idosos desafia a polícia
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10/09/2010 - 16h31
Polícia prende acusados de matar irmãos em Encruzilhada do Sul

Mesmo que esteja sempre com uma faca na cintura quando está por casa, o aposentado Valdemiro Machado da Silva, de 71 anos, está assustado. Ele, a esposa Ana Terezinha, 52, e a filha de 14 eram os vizinhos mais próximos dos irmãos que foram mortos a pauladas provavelmente na quarta-feira. Os corpos foram encontrados na casa deles por uma sobrinha. Além de chocar os moradores da localidade de Chanã, a 12 quilômetros do Centro, o crime está desafiando as duas únicas policiais civis da cidade. “Foi uma barbaridade o que fizeram com os coitados. Mal saíam de casa”, lamentou Valdemiro.

Moradora do Chanã há dez anos, a família já pensa em se mudar para a cidade. A barbárie contra os vizinhos, os problemas de saúde da filha mais moça e a falta de forças que Valdemiro diz ter para a lida diária na propriedade de um hectare alimentam o desejo de deixar o lugar. “Tá certo que na cidade fica uma casa grudada na outra, mas pelo menos se um vizinho pede socorro o outro atende”, argumenta. Contra a violência, o aposentado diz contar com a faca e a fé. “Sou muito católico. Sempre rezo antes de dormir e peço proteção para a minha família, ainda mais agora”, revela.

Os irmãos Marfisa Machado de Freitas – que faria 73 anos nesta quinta – e José Augusto Machado de Freitas, de 68, moravam a cerca de um quilômetro da estrada geral da localidade, onde vive a família de Valdemiro. A casa simples fica encravada no meio de morros, boa parte cobertos por pínus. Nem rádio FM pega, que dirá sinal de celular. Para chegar até a moradia é preciso abrir duas porteiras. Numa delas o aviso é claro: favor fechar a porteira. Mesmo assim, provavelmente no começo da manhã de quarta, antes de botar o fogão a lenha para funcionar, os dois foram assassinados a pauladas. Ele morreu ainda dentro de casa. Ela no pátio. Marfisa era a benzedeira da localidade.

Os corpos foram encontrados no fim da tarde por uma sobrinha que mora em Porto Alegre e passaria uns dias em Encruzilhada. Como José Augusto não apareceu para apanhá-la na parada de ônibus mais próxima, a sobrinha foi acompanhada por um conhecido da família. “Estamos todos chocados com o que aconteceu. Foi horrível. A minha tia mal saía de casa. O irmão morava na casa desde quando ela viuvou, em 2005. Ela não queria morar sozinha lá”, conta o também sobrinho Valter Freitas da Silva, de 36, morador de Guaíba. A família não soube informar à polícia se algum objeto foi roubado da casa, o que configuraria um caso de latrocínio.



fonte: Jornal Gazeta do Sul
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