Quatro dias após o assassinato do taxista Neori Glênio Keller, 47 anos, a Polícia Civil de Venâncio Aires chegou ontem à elucidação do caso e à prisão de três jovens acusados pelo crime. O trio assumiu a participação. Agora, o delegado Paulo César Schirrmann, responsável pelas investigações, depende apenas de detalhes para concluir o inquérito e confirmar a tese de latrocínio (roubo seguido de morte).
Segundo Schirrmann, os agentes do setor de investigações da DP de Venâncio trabalhavam com outros três nomes. Contudo, o caso teve uma reviravolta ontem, quando a polícia recebeu a autorização para a quebra do sigilo telefônico do celular do taxista. Com isso, chegou à identificação da linha pela qual a vítima recebeu uma chamada na noite da última sexta-feira.
“Chegamos ao nome de alguém que não tinha qualquer relação com o crime, mas teve o chip do celular usado pelos criminosos. Através desta pessoa chegamos ao primeiro envolvido”. Com isso, durante a tarde de ontem os policiais capturaram Jeferson José Preuss, 19 anos, que assumiu a autoria do assassinato. “Com todos os elementos que tínhamos, não houve como ele negar”, afirma Schirrmann.
O taxista recebeu uma ligação em seu celular pouco depois das 23 horas, disse à mulher que iria fazer uma corrida, mas não citou o local. Em seguida, embarcou em seu Fiat Siena e não retornou. O corpo foi encontrado dentro de uma valeta, na localidade de Picada Treib, em Linha Arroio Grande, com diversas perfurações de faca. Antes disso, por volta das 23h40, o táxi já havia sido localizado pela Brigada Militar capotado em Linha Bem Feita. Ao lado do carro foi apreendida uma faca. Testemunhas relataram que três pessoas teriam saído do veículo e fugiram correndo.
FACA
Conforme o delegado, a faca foi reconhecida pelo pai de Preuss. Ele também relatou que o rapaz não dormiu em casa naquela noite e no dia seguinte apareceu com um comportamento estranho e dizendo que iria acampar. No retorno, se queixou de dores nas costas. “Na verdade, essas lesões foram decorrentes do capotamento”. Interrogado, Jeferson acabou entregando o nome dos outros dois acusados, cuja descrição batia com as informações de populares. Jhonata Machado da Rosa, 19 anos, e uma adolescente de 16 foram encaminhados à delegacia e também confessaram o envolvimento. “Não negaram nada. Apenas ficam empurrando as atribuições um para o outro”.
A tendência é de que durante a tentativa de assalto o taxista tenha reagido e sido esfaqueado. O delegado representou pela prisão temporária dos dois rapazes, que foram encaminhados ao Presídio Regional de Santa Cruz do Sul. Já a menina deve ser internada na Fundação de Atendimento Socioeducativo (Fase). “Foi um trabalho obstinado da polícia. Fizemos muitas oitivas e seguimos provas que não deram em nada. Mas não paramos desde sábado e felizmente alcançamos este resultado”, concluiu Schirrmann.