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Walmor Santos é o que se pode chamar de um escritor múltiplo, um workaholic. Contista, novelista, romancista, poeta, ensaÃsta e editor, investe com muita desenvoltura em todas essas áreas, assinando textos voltados a públicos das mais variadas idades. E ainda reserva tempo para incentivar e divulgar outros autores, fomentando especialmente as letras do Rio Grande do Sul através da sua editora, a WS. Hoje, ele será uma das atrações da 23ª Feira do Livro, quando participará de atividades na praça e em escolas. Com mais de uma dúzia de tÃtulos lançados ao longo de duas décadas, a maioria deles pela própria WS, premiado em diversas ocasiões, Walmor é igualmente grande incentivador da leitura (foi mentor da extinta revista Blau, uma das mais arrojadas iniciativas do gênero). Mantém ainda o Projeto Autor na Sala de Aula, levando escritores do catálogo da sua editora aos mais distantes recantos do Estado. Seus livros mais recentes são o elogiado romance Contestado: A Guerra dos EquÃvocos, de 2009, sob o selo da Record, e Breves Notas sobre o Conto, resultado de 15 anos de pesquisa, pela WS. Walmor Santos - Como escritor, estou envolvido com um roteiro para cinema. Talvez saia um filme, dirigido pelo Tabajara Ruas, sobre a guerra do Contestado. Publiquei no ano passado o primeiro volume, O Poder da Fé, e tenho inédito para revisão, no próximo verão, o segundo volume, A Fé no Poder. O roteiro está já na sétima versão. É uma experiência nova. Também finalizo duas novelas: Rato com Asas de Borboleta e Tristes Olhos de Menina. E ainda trabalho num livro de contos, com todos os conflitos em torno da morte... Mix - Como leitor, o que estás lendo na atualidade? Quais autores ou livros deixarias como dicas? Walmor - Nesta última noite (domingo passado) peguei para reler Clarice Lispector: Laços de FamÃlia. E terminei agora (no mesmo domingo) o Ninguém Escreve ao Coronel, de Gabriel GarcÃa Márquez. Walmor - Entre muitos injustiçados (por mim esquecidos), cito Hermann Hesse, Gustave Flaubert, Gibran, Aldous Huxley, Machado de Assis, José Mauro de Vasconcelos (saudade do Rosinha, Minha Canoa/Meu Pé de Laranja-lima – o que os acadêmicos fazem com quem escreve fácil?), Steinbeck etc. Mix - A WS é reconhecida como editora identificada com projetos de estÃmulo à leitura. Qual, em teu entender, o papel de uma Feira do Livro na atualidade? Walmor – Muitas feiras de livro ainda cometem o crime de ser apenas evento literário. Pouco fazem de fato para a formação de novos leitores. Basta ver o que se vende nessas feiras (fraudes contra crianças, coisinhas de R$ 1,00 que sequer livros são, quando não eivados de erros crassos), sessões de autógrafos que não têm nenhum pedido de autógrafo, exceto em papéis que logo estão no chão... Em minha opinião – e trabalho para isso –, a Feira do Livro tem que ser a culminância de um projeto de leitura, que começaria meses antes, com capacitação de professores, com livros nas mãos dos alunos e em quantidades para que realmente fossem lidos, discutidos, recriados e, por fim, debates com os autores, de preferência no próprio ambiente dos alunos, seja escola urbana ou rural. Mix - Como editor, como avalias o atual momento editorial no Brasil e, particularmente, no Rio Grande do Sul? Walmor - O mercado livreiro no PaÃs está em ascensão. Basta ver o interesse de multinacionais do setor. E o do Estado também, com grandes editoras buscando nossos autores. E quase três quartos do mercado estão focados no livro juvenil e infantil, pois quem não lê no PaÃs são os adultos. Três em cada quatro brasileiros adultos são considerados analfabetos funcionais. Mix - Como um editor de livros lida com os novos suportes de leitura e de produção e publicação de textos? Como, em tua avaliação, o livro impresso sairá desse cenário atual de migração para o online e o eletrônico? Walmor - Não acredito nesse terrorismo de o eletrônico substituir o livro em seu atual suporte. Pode acontecer, sim, muito distante no futuro. Mas sempre será livro. E pesquisas recentes provam que a internet está ajudando a ler mais. Sem contar que poucos se deram conta que a internet está derrubando fronteiras, tornando internacionais navegadores mesmo de cidades pequenas. E isso é o sonho de qualquer pacifista: acabar com fronteiras terrestres, irmanando a humanidade de fato. Talvez a internet faça mais do que todos os tratados de paz ou comerciais ou culturais... Mix - Por fim, qual a tua expectativa em relação à Feira do Livro de Santa Cruz? Pensas em direcionar a tua fala para algum tema especÃfico? Walmor - Normalmente procuro examinar o público. Em poucos instantes, pressinto a expectativa da plateia e busco conduzir por aÃ. Mas centro meu trabalho inicialmente na fala da importância da leitura em minha vida e na vida futura dos estudantes. Depois, trabalho muito a questão da realização de sonhos pessoais como forma de se alcançar a felicidade. Sonho é subjetivo, como as diferentes leituras, que considero fruto dos cinco sentidos e em benefÃcio do sexto: a imaginação, que é a mãe de toda invenção humana. Entrevista realizada por Romar Beling. fonte: Jornal Gazeta do Sul
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