Após o fechamento do Cine Coliseu Rio-pardense, no início da década de 1980, e depois o Ópera nos anos 1990, Rio Pardo deixou de contar com um espaço para exibição de filmes por quase duas décadas. No entanto, desde março, uma equipe do Centro Regional de Cultura Rio Pardo vem mudando esse cenário. Com espaço para abrigar até 100 pessoas e infraestrutura para exibir longas, curtas, documentários e animações, o Cineclube Cultura Jorge Comassetto abre as portas do auditório do centro cultural duas vezes por semana. Cada exibição, que ocorre tanto para o público em geral, como para escolas, é seguida de um debate. O espaço reúne cinema e discussão para todas as idades.
“Antes as pessoas tinham que se deslocar para Santa Cruz ou Cachoeira do Sul para ir ao cinema”, lembra a curadora Dariane Labres. Desde março as exibições ocorrem às sexta-feiras, às 19h30, com classificação de acordo com o filme, e aos domingos, às 16 horas, com classificação livre. A entrada é gratuita. Os recursos para a instalação e manutenção do espaço foram obtidos através da Lei de Incentivo à Cultura da Secretaria de Áudio Visual do Ministério da Cultura. A distribuição dos filmes é feita pela Programadora Brasil. Videolocadoras e acervos particulares também incrementam a videoteca do Cineclube.
“Esta não é uma sala de cinema. Aqui o público tem a oportunidade de ver o filme e discuti-lo”, afirma Dariane. Segundo ela, 60% das exibições são produções nacionais, após é feito o debate sobre o que a telona exibiu, seja a respeito do assunto do filme ou da técnica usada para produção. A imagem projetada da cabine muitas vezes é a oportunidade de muitas crianças estrearem a experiência de cinéfilos. “Muitos alunos que vêm aqui nunca foram a um cinema”, conta o voluntário Leonardo Lunardi.
Para o porto-alegrense, que já foi ator de curta-metragem e trabalha desde 2001 com exibição de filmes, o Cineclube é uma forma de fazer o público pensar sobre cinema de uma maneira diferente. “Isso faz as pessoas enxergarem os filmes por um outro prisma. Às vezes até de uma maneira mais técnica”, explica. Cineclubista e responsável pela divulgação do espaço em Rio Pardo, Lunardi já fez trabalho semelhante em Joinville, em Santa Catarina. “A gente vê o filme e fala sobre ele”, afirma Lunardi. “É uma discussão informal, as vezes temos até um debatedor”, completa Dariane.
OFICINAS
O Cineclube de Rio Pardo não deve ficar apenas na exibição de filmes. Dariane adianta que uma oficina de produção de roteiro deve começar até o início do próximo mês. A primeira etapa deve ser um relato da Escola Estadual Fortaleza, que realiza o projeto Fortaleza em foco. A iniciativa trabalha com produção de curtas e longas-metragens. O trabalho será aberto ao público para a troca de experiências sobre o tema. Também está em fase de produção de roteiro o primeiro curta-metragem feito através do Cineclube.
Histórico
Há quase duas décadas longe das telonas, Rio Pardo já teve longos anos de exibição de filmes antes da criação do Cineclube Cultura Jorge Comassetto. O Cine Coliseu Rio-pardense reuniu diversos espetáculos entre as décadas de 1930 até o início dos anos 1980.
1937 – O cachoeirense Jorge Comassetto inaugura o Cine Coliseu Rio-pardense no local onde atualmente existe a Câmara de Vereadores, na Rua Andrade Neves, esquina com a General Osório. O cinema, que tinha espaço para 600 lugares, funcionava também como teatro e casa de espetáculos.
1940 - 1950 - 1960 – Rio Pardo estava incluído no roteiro dos grandes espetáculos que passavam por Porto Alegre e Argentina. Nomes como Dercy Gonçalves, Procópio Ferreira e Tônia Carrero foram algumas das celebridades que passaram pelo palco do Cine Coliseu.
1971 – O proprietário do Cine Coliseu, Jorge Comassetto, falece. A empresa passa para o seu filho, o advogado Jorge Comassetto Júnior.
1974 – Júnior decide vender a empresa. Em depoimento publicado no fascículo número 10 da série Rio Pardo 200 anos: uma luz para a história do Rio Grande, ele explica que aquele era o momento, pois a televisão estava dominando o mercado.
1980 – Nos primeiros anos da década de 1980, o novo dono fecha as portas do Cine Coliseu. Mais tarde, o prédio, que tinha estilo neoclássico, com colunas romanas e visual art déco, foi demolido. No mesmo local houve a construção de um novo prédio, onde funcionou o Cine Ópera até meados dos anos 1990.
2009 – Em março, o setor de projetos do Centro Regional de Cultura Rio Pardo envia edital para o Ministério da Cultura para abertura de um Cineclube em Rio Pardo. A aprovação vem posteriormente.
2009 – Em agosto, Dariane Labres e Fernando Porto participam da oficina Cine Mais Cultura Região Sul 2009, em Porto Alegre. O objetivo era formar a equipe que faz a seleção, a exibição e os debates do Cineclube.
2010 – Em janeiro, o Centro Regional de Cultura Rio Pardo recebe os primeiros equipamentos para exibição de filmes do Ministério da Cultura.
2010 – A primeira exibição de filme ocorre em março e reúne 37 pessoas para assistir ao documentário Janela da Alma, de João Jardim e Walter Carvalho, e do curta-metragem Alma de Carioca – Um choro de menino.