O preço do petróleo, pressionado globalmente pela escalada do conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel, colocou os consumidores brasileiros em alerta. Na região, diversas cidades registraram filas, falta de diesel e reajustes nos pontos de venda.
Em Santa Cruz do Sul, até essa quarta-feira, 11, poucos estabelecimentos tiveram alta súbita na procura. No entanto, o aumento já chegou ao bolso do consumidor, principalmente no diesel. Uma rede com sete postos na cidade identificou elevação de R$ 0,42 a R$ 1,80 no litro do diesel e de R$ 0,05 a R$ 0,34 no da gasolina, dependendo do fornecedor. O proprietário, Roberto Ruschel, adiantou que não há falta de produtos, mas a preocupação é latente.
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“Como a demanda e os custos de importação subiram muito, os produtos estão racionados nas distribuidoras, o que pode causar desabastecimentos pontuais”, explica. Ele reforça que o foco crítico é o diesel. Jader Pretto, gerente de outra rede local, compartilha da visão. “Os valores subiram e a tendência é de continuidade se o cenário não mudar.”
Em meio a isso, a Petrobras deve leiloar 20 milhões de litros de diesel para entrega a partir de 16 de março. A chegada do combustível está programada para Canoas e atende a um pedido das chamadas Transportadores-Revendedores-Retalhistas (TRRs), que vendem diretamente a produtores rurais, indústrias e transportadoras.
Nos últimos dias, entidades ligadas ao agronegócio gaúcho alertaram para os impactos negativos do desabastecimento no período de safra. Isso pode comprometer a atividade no campo.
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O presidente do Sindicato Intermunicipal do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do Estado (Sulpetro), João Carlos Dal’Aqua, enfatiza que não há desabastecimento, mas uma restrição das companhias. “As distribuidoras estão vendendo paulatinamente. Não escoam estoques com velocidade por insegurança quanto à precificação final e sinalizações da Petrobras”, diz.
Ele confirma que os custos estão sendo repassados. Além disso, atenta para a prioridade das distribuidoras que atendem preferencialmente estabelecimentos com os quais tëm contratos firmados. “Postos que têm contrato com elas estão recebendo e postos que não têm contrato ficam no final da fila.”
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Dal’Aqua explica que o aquecimento da demanda gera um desajuste no fornecimento. “Se um posto vende 10 e no dia seguinte ele pede 20, ele não vai ter esse produto atendido. Então, pode acontecer de o consumidor chegar e ter uma bomba parada por falta de produto, e ele acha que há um desabastecimento”, afirma.
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O que aconteceu
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Os conflitos no Oriente Médio elevam o preço dos combustíveis no Brasil devido à paralisação na oferta global de petróleo, agravada pelo fechamento do Estreito de Ormuz, principal rota logística do setor. Com o barril superando os US$ 100, a economia mundial sofre reflexos diretos no refino e na importação.
Segundo a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), as distribuidoras já repassam custos mais altos aos postos, impulsionadas pela alta do produto bruto e das operações em refinarias privadas. Ainda segundo a Fecombustíveis, essas elevações estariam ligadas principalmente ao aumento dos custos nas etapas de refino, especialmente em refinarias privadas, e também ao maior custo da importação de combustíveis.
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Corrida às bombas
O receio da escassez gerou filas no Vale do Taquari, onde prefeituras e empresas tiveram dificuldades para abastecer frotas entre terça e quarta-feira. Em Santa Cruz, o governo municipal informou que veículos das secretarias de Obras e de Agricultura conseguiram suprir a demanda normalmente.
Em Venâncio Aires, a Prefeitura não descarta um decreto de contenção, já que o suprimento está ameaçado. A frota pesada da cidade consome mais de 20 mil litros de diesel por mês. O prefeito Jarbas da Rosa determinou prioridade para ambulâncias e serviços essenciais.
Especulação
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou nessa quarta que não há risco de falta de combustíveis no Brasil. Segundo ele, aumentos recentes podem estar ligados à “especulação criminosa” de agentes do setor. O governo pretende reforçar a fiscalização para coibir abusos.
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A alta repentina colocou o Ministério Público e Procons em prontidão. Em Venâncio Aires, o órgão vai pedir esclarecimentos sobre a elevação da gasolina, já que a Petrobras indicou alteração apenas para o diesel. Em Santa Cruz, o coordenador do Procon, Marcelo Estula, recomenda pesquisa de preços. “Existem locais que ainda não reajustaram. O aplicativo Menor Preço, da Nota Fiscal Gaúcha, permite consultar valores em tempo real”, orientou.
Embora o Brasil produza mais petróleo bruto do que consome atualmente, o País ainda depende da importação de refinados: cerca de 27% a 29% do diesel e 13% a 15% da gasolina consumidos internamente vêm do exterior. A Petrobras utiliza uma política de reajuste gradual para suavizar a volatilidade internacional no curto prazo.
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