Da terra e da gente 16/06/2020 14h24

Belezas dos tempos

Começa a haver em período mais recente uma valorização maior em nosso meio do que diz respeito ao passado

Embora sejamos uma sociedade ainda relativamente nova, começa a haver em período mais recente uma valorização maior em nosso meio do que diz respeito ao passado, como é mais comum acontecer em nações mais antigas. Lembro-me de fase nem tão distante, dos anos de 1970-1980, em que objetos velhos não recebiam a devida atenção e eram deixados de lado, até que num outro momento foram vistos com maior carinho e passaram a surgir mais pessoas que se interessassem por antiguidades e lhes dessem o adequado valor.

Tive a oportunidade de visitar há poucos dias um minimuseu particular montado por Mathias Assmann, 51 anos, na sede do terceiro distrito santa-cruzense, Monte Alverne, na rua recémpavimentada com o mesmo nome que homenageia o seu avô e onde reside com a esposa Milene, 40, e a filha Mathiele, 16. O empresário do ramo de combustíveis reuniu e restaurou um enorme acervo de materiais, em especial nos últimos 15 anos, por gosto e prazer próprios, que o levaram a ir em busca destes itens na região e em intercâmbio com outros colecionadores, inclusive de fora do País.

Todos os tipos de peças o atraem, pela sua beleza e representação histórica, onde ganham ênfase os mais diferentes objetos relacionados à imigração alemã, que na região de Monte Alverne completa 160 anos. Tudo o que se possa (e até não) imaginar em utensílios domésticos do passado, com peças esmaltadas, em porcelana e outros materiais, está exposto já na cozinha e nas salas de jantar e estar, com belos móveis de madeiras restauradas, junto com inúmeras coleções de objetos de uso pessoal, relógios, lampiões, rádios raros, instrumentos de trabalho em pedra, sabres e uma infinidade de outros itens, que estão ainda espalhados em muitos armários de outras épocas e um grande galpão usado para este fim.

A história local está presente também na primeira mesa cirúrgica do famoso médico Pedro Eggler, em antigo gerador de luz, em placas de carroças dos anos de 1927 e 1937 e até na cadeira do barbeiro Alcido Bender, onde o próprio Mathias deixava passar a máquina quando pequeno, depois de receber uma bala menta para perder o medo dos inevitáveis puxões. Ainda com conotação familiar e histórica, conserva portentosa placa do seu avô como representante da Volksvereinssparkasse (atual e centenária cooperativa de crédito Sicredi). E, com carinho especial, mantém e organiza, junto com a jovem filha, interessada nestes assuntos, a respeitável biblioteca do pai Edmundo, falecido em 2019, que, entre os mais variados títulos, traz em destaque a imigração alemã.

O empresário diz que não consegue abrir normalmente o espaço ao público, mas recebe visitas agendadas (9 9922 0192), para conferir o belo material histórico reunido, numa elogiável iniciativa de valorizar a cultura de outros tempos, que diz muito para nós, hoje e sempre.

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