ELENOR SCHNEIDER 03/05/2021 21h02

Um pouco antes, uma homenagem que se impõe

Eu nunca consigo entrar em hospital e ver a atuação amorosa de uma enfermeira ou de um enfermeiro sem me emocionar

Na minha próxima coluna, a data já terá passado, por isso me antecipo. Quero oferecer esta reflexão às enfermeiras e aos enfermeiros, que são lembrados no Dia da Enfermagem, 12 de maio. As datas comemorativas, quase todas, frequentam o calendário para que tenhamos presente com mais ênfase o exercício de cada profissão ou de cada missão. A pandemia, que ora vivemos, nos colocou e coloca frente a frente com esses profissionais, também surpreendidos pela doença e, por isso, também convivendo com a incerteza, a insegurança e, por que não, com o medo.

Como pró-reitor de Graduação da Unisc, a primeira formatura que presidi foi de uma turma da Enfermagem. Era o dia 11 de janeiro de 2014. Vou relembrar parte do meu discurso de encerramento da solenidade.

"Na mensagem inicial de seu convite está escrito: 'Maravilhoso é volver os olhos para trás e constatar quantos objetivos foram conquistados, quantos esforços foram realizados e quantas preocupações foram vencidas... Mas, ainda mais maravilhoso é olhar para frente com fé, sabendo que temos uma força maior que nos acompanha dia a dia e que, ao descortinarmos um novo horizonte, poderemos fazer o bem, dando àqueles que precisarem todo o nosso saber.'”

Na verdade, vocês dão muito mais que o saber, vocês alimentam a esperança, a vida. E para isso, às vezes, o saber não é suficiente. O saber amealhado é importante, não há dúvida, mas só o será se for posto a serviço da esperança e da vida.

Há profissões em que, pela característica peculiar, dá para fazer mais o bem, mas estas devem ser exercidas por pessoas boas. Ana Nery, no filme Brava gente, a história de Ana Nery, fala: “A minha função aqui é consolar os feridos. Se devo ser morta por ajudar os outros e por salvar uma criança que estava gangrenada, que assim seja. Sinto que vim à vida para cuidar deles. Quando existe amor, é mais fácil passar pelo sofrimento.”

Eu nunca consigo entrar em hospital, por exemplo, e ver a atuação amorosa de uma enfermeira ou de um enfermeiro sem me emocionar. Mesmo diante da pessoa mais gravemente enferma, vocês se aproximam como uma esperança, um alento. Por isso, vejo em vocês pessoas que só podem ser dotadas de muito amor, capazes de serem lamparinas, velas, luzes, onde parece a escuridão não ter retorno.

Noutra passagem, mais uma vez, a fala de Ana Nery, enfermeira que amparou os soldados do exército brasileiro na Guerra do Paraguai. Ela foi advertida por atender um soldado inimigo. Então disse: É um ser humano, vamos cuidar dos feridos.”

Incluo na minha homenagem os técnicos, os auxiliares de enfermagem, também eles certamente com papel relevante para o bom êxito de quem cuida da vida.

Lidar com a vida e a morte não é o mesmo que consertar o motor de um carro. Sorrir com o nascimento de uma criança, com o paciente que sai curado, consolar os que perderam seus entes queridos, chorar por uma salvação fracassada, isso tudo pede pessoas de alma grande, de mãos plenas de desvelo e ternura, de olhares sempre irradiando afeto e carinho.

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Faz um ano que assumi este espaço. Agradeço de coração a todos que me prestigiam com a sua leitura.

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