Direto da redação 16/11/2018 23h27 Atualizado às 10h39

Tempo pessoal

Como temos todos, pelo menos por enquanto, o direito de dar opinião, há que se respeitar aqueles que acreditam que foi um período profícuo para o País

Não tive dúvidas sobre o que escrever, mas não soube definir, de imediato, qual seria o melhor título para o texto de hoje. Tempo pessoal parece adequado, mas também poderia ser “Como fazer a coisa certa”. Quando falamos em passagem do tempo, em como aproveitar nossa curta vida, não importa o tamanho que ela venha a ter, também estamos pensando sobre as atitudes que devemos tomar para que não pareça estarmos desperdiçando este tempo.

A conclusão, após algumas décadas de vida, é: não há coisa certa a fazer. É muito difícil sabermos se estamos tomando a melhor atitude frente a esta ou aquela situação. Mesmo definir certos valores e se pautar por eles não funciona – os outros podem estar se pautando por valores bem diferentes, e daí todo o seu esforço foi por água abaixo. Como não dá para fugir das interpretações sobre as atitudes dos que nos cercam, só podemos ir tentando e absorvendo os impactos da melhor maneira possível.
Isso, claro, é apenas a minha interpretação.

Quer um exemplo? No próximo dia 26, se tudo der certo, a sonda Insight pousará em Marte após seis meses de viagem. Ela foi projetada e construída pela Nasa, a agência espacial americana, com o propósito de estudar o interior profundo do planeta, sua parte física – solo, rochas –, para acumular conhecimento sobre os processos que moldaram esses tipos de corpos. Não se pode esquecer que Marte e Terra partilham a história de formação. Como até hoje nossa pesquisa se concentrou muito apenas nos planetas gasosos, como Júpiter, essa missão a Marte é importante porque vai ampliar as informações sobre corpos rochosos.

Mas qual seria a importância disso para a nossa realidade? Aparentemente, nenhuma. O exemplo serve apenas para mostrar que nos últimos meses, enquanto nos engalfinhávamos em intermináveis discussões pretensamente políticas, havia coisas interessantes acontecendo no resto do mundo, no meu modo de ver. Os exemplos podem variar segundo o gosto de cada um. É possível achar temas e projetos em muitas áreas; a pesquisa em Marte é apenas uma. Podemos alegar que nossos debates eleitorais foram definidores do futuro do Brasil, que eram importantes porque precisamos ter participação política, e blá blá blá. Mas admitamos, foram meses muito mais de ruído e gritaria do que propriamente discussão. Como temos todos, pelo menos por enquanto, o direito de dar opinião, há que se respeitar aqueles que acreditam realmente que foi um período profícuo para o País.

Não há coisa certa a fazer. Como sociedade, podemos achar que foi uma fase proveitosa. Talvez tenha sido, talvez não. Para saber, só resta esperar o tempo passar e conferir, lá na frente, se tanto debate produziu coisas úteis. Eu, particularmente, acho a pesquisa sobre Marte útil...