Direto da redação 19/07/2019 22h25 Atualizado às 09h54

Perto da Lua

À parte polêmicas e enfoques políticos controversos, importa destacar o que ela representou para as pessoas comuns.

Fôssemos um planeta sem controvérsias e sem graves problemas, alguns aparentemente sem solução, habitado por uma espécie animal livre de contradições, este dia 20 de julho seria de intensa comemoração. Afinal, ele marca os 50 anos de “uma das grandes realizações humanas de todos os tempos”, a chegada à Lua.

Para uma parte significativa das pessoas, é um assunto distante, o que é compreensível: não são muitos os que presenciaram ao vivo aqueles dias e hoje podem contar o que sentiram, por exemplo. A maioria de nós, entre compromissos e desafios diários, vai talvez ser um pouco tocada com as reportagens (inclusive na edição deste sábado e domingo da Gazeta do Sul) que têm lembrado o que aconteceu, por se tratar de uma data cheia.

Não cabe aqui fazer um relato detalhado do que se passou naquela semana de 1969, visto que há informação de sobra na internet. Os astronautas Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins, a bordo da Apollo 11, partiram da Terra em 16 de julho. No dia 20, o módulo Eagle alunissou, levando Aldrin e Armstrong, que se tornou o primeiro humano a pisar na superfície lunar seis horas depois, já no dia 21. Michael Collins ficou em órbita, pilotando o módulo de comando e serviço Columbia. No dia 24, já estavam de volta à Terra.

Para mim, à parte polêmicas e enfoques políticos controversos, como o peso da Guerra Fria para essa conquista, importa destacar o que ela representou, digamos, para as pessoas comuns, como o impulso que deu à educação. Na época do projeto, que começou em 1961, cresceu muito o interesse dos jovens por áreas relacionadas à conquista espacial, como ciências e engenharia, resultado direto de uma época em que algumas das pessoas mais proeminentes da sociedade – americana, no caso – não eram jogadores de futebol e artistas de estilos musicais questionáveis. Também houve grande impulso à economia – em determinados momentos dos anos que antecederam a chegada à Lua, mais de 400 mil pessoas estavam envolvidas nesse esforço, tanto na pesquisa como na construção e desenvolvimento de tudo o que seria usado na série de voos históricos.

Quanto a mim, na próxima sexta-feira, dia 26, espero sentir um pouco da emoção do que se passou nessa época que não vivi. Michael Collins, hoje com 88 anos, do trio pioneiro na Lua, será o principal convidado da EAA AirVenture 2019. Esse encontro de aviação que ocorre anualmente em Oshkosh, no Estado americano de Wisconsin, será especial, para comemorar os 50 anos. E terei a oportunidade de estar lá nesse dia. De alguma forma, um pouco perto da Lua.