Fora de pauta 29/02/2020 11h04

Um desafio para todos

Desde a eficácia do sistema de saúde até nossa capacidade de acessar e processar informações sobre como proceder, saberemos que potencial tem essa doença de nos afetar

Agora que o coronavírus chegou ao Brasil, com a confirmação do primeiro caso, começa um período que promete testar a todos nós. Desde a eficácia do sistema de saúde até nossa capacidade de acessar e processar informações sobre como proceder, saberemos que potencial tem essa doença de nos afetar. Será apenas como foi a H1N1 (2009), em que a grande quantidade de casos teve tratamento adequado? Ou seus efeitos serão maiores?

Nos próximos dias e semanas, deveremos voltar a ver alguns cuidados adquiridos naquela época e quase descartados depois, como higienizar frequentemente as mãos e cuidar na hora de espirrar. É esperada uma corrida atrás de álcool gel e a eventual falta do produto. Uma que outra pessoa deve usar máscara...

Não deixa de ser positivo que se retome boas práticas. O mais importante, porém, será a capacidade de ter contato com informação de qualidade e saber o que fazer com ela. Nesta época em que usamos tanto a internet, como ter certeza que estamos lendo, especialmente, dados verdadeiros sobre o coronavírus?

É possível sim encontrar informação de qualidade que nos coloque a salvo dessa doença. A primeira recomendação é acessar prioritariamente o site do Ministério da Saúde (https:// saude.gov.br). O que está lá sempre é o ponto de partida, não só para o coronavírus, mas para qualquer doença, e está na medida exata para uso do público, com clareza e fácil compreensão. Também devem ser consideradas confiáveis as informações que vierem de empresas de comunicação reconhecidas e com credibilidade. Até porque, justamente por serem sérias, também se abastecerão do que for divulgado pelas autoridades de saúde.

Contrariamente, portanto, mensagens recebidas por grupos de WhatsApp ou mesmo de pessoas conhecidas, mas não especializadas no tema, precisam ser desconsideradas, ou pelo menos comparadas com o dado oficial. O seu amigo ou amiga pode ser pessoa muito bem-intencionada, contudo não é ninguém na hora de fazer recomendações sobre algo delicado que envolve a saúde de todos. Não podemos esquecer isso.

São providências que podem ajudar no esforço de conter a doença e, especialmente, evitar o pânico. A cada novo surto de algo como o coronavírus, ressurgem temores relacionados, por exemplo, a episódios antigos de gripe que provocaram milhões de mortes. Mas a informação confiável nos lembra que essas situações ocorreram em épocas em que os próprios cuidados médicos eram precários – o contrário do que acontece hoje. Portanto, em comparação, o potencial danoso do coronavírus tende a ser bem menor.

A identificação do primeiro caso no Brasil, mesmo que ainda sem contágio dentro do território, vai confrontar a capacidade de entendimento de uma população que, nos últimos anos, demonstrou deficiências em interpretar informações. Não que seja um defeito apenas brasileiro – basta ver as imbecilidades que circulam pelo mundo, como o movimento antivacina. Ao final dos próximos meses, especialmente com a aproximação da época mais fria do ano, saberemos em que grau estamos nesse particular. Um desafio para todos L