Direto da redação 02/11/2017 10h09

Um ano de despedidas

Não faz muito tempo, duas amigas resolveram fazer eu lidar com essa tal despedida

Esta vida insiste em nos colocar em roubadas. Nos apresenta pessoas incríveis e quando vê, plim, elas dão um jeitinho de ir em busca dos seus sonhos. O problema é que essa busca acontece de forma repentina e quando você se dá conta, elas já estão longe. Não faz muito tempo, duas amigas resolveram fazer eu lidar com essa tal despedida. Uma é a Bibiana. A outra é a Letícia. 

A primeira é aquela que preenche espaços vazios. Deixa qualquer ambiente alegre. Sempre traz uma piada nova ou faz dela mesma a piada. Minha amiga Bibiana sempre foi a doidinha da turma. Impossível sair com ela sem dar uma gaitada das boas. Mas não pensem que a Bibi é só gargalhada. Saiam de perto quando ela decide dizer umas verdades. Se as amigas fazem bobagem, passam do ponto, aquela coisa de dar uma exagerada, coisa e tal, ela vai lá e te coloca no centro. Mas sempre com muito bom-senso. A Bibi também encoraja. Eita guriazinha que não te deixa desistir. Basta você pensar em manifestar um pouquinho de baixa autoestima para ela intervir. Se for necessário, até chora junto, mas logo dá um jeitinho de fazer você sentir que pode mais. É energia boa, companhia que revitaliza, astral que só quem um dia conheceu entende. 

Faz dois meses que a minha amigona de longa data viajou para outro país. O pior é que a previsão é que ela volte somente daqui a um ano (ou dois). E como a gente fica? Aqui, fazendo este texto e disfarçando a saudade com as palavras. Mas a verdade é que a falta dela só vai aumentar. Haja Skype, WhatsApp, áudio, mensagens na madruga ou qualquer tentativa de contato. E ai de ti, dona Bibiana, se não me contar as novidades semanais, ok?! 

A outra que me colocou em uma roubada é a Letícia. Se chegou de mansinho. Me convidou para um chopinho aqui, veio comentar uma coisinha ali e, quando eu percebi, já me senti à vontade para devanear sobre a vida. Com essa moça, minha ex-colega de trabalho, eu aprendi a observar mais e falar menos. Entendi que a vida pode e deve ser mais leve. Compreendi que estamos neste mundo para amar. E aí não interessa a forma como esse sentimento vem: devagarinho ou às pressas. O importante é se permitir e deixar que a vida se encarregue de encaminhar o resto, mesmo que às vezes tudo pareça estar meio bagunçado. 

Com a Letícia, eu entendi que devo me preocupar menos com os fatores externos e preciso apostar no que me faz vibrar. Certa vez, eu fui choramingar porque um plano meu não havia dado certo. E ela, toda audaciosa, me disse: “Ainda bem!”. A Leti é daquelas que conseguem interpretar mesmo que não verbalizemos os sentimentos. Mesmo quando nem nós sabemos o que se passa. E nesse episódio, ela já sabia, o tal plano era só uma desculpa para dar uma “sacolejada” na vida. Não era o que me fazia vibrar. Agora entendem por que essa dupla faz tanta falta?