Direto da redação 28/04/2018 01h40 Atualizado às 11h26

A querideza dos “mineirin”

Nessas férias tive a certeza que viagem boa é viagem de prosa, de resenha, de ouvir o que os nativos têm pra contar. Finalmente conheci Minas Gerais

O que seria de uma viagem sem as pessoas? Que graça teria conhecer lugares sem a simpatia, o brilho e a simplicidade do povo local? Nessas férias tive a certeza que viagem boa é viagem de prosa, de resenha, de ouvir o que os nativos têm pra contar. Finalmente conheci Minas Gerais. E as culpadas por me fazer querer ficar mais  tempo na terra do pão de queijo (e que pão de queijo) foram Belo Horizonte, Brumadinho (Inhotim) e Ouro Preto. Tem como resistir àquele sotaque, uai? E à comida, sô? E ao jeitin querido “dimais” da conta? Pois eu elegi os mineiros como o povo mais querido desse Brasil. Quiçá do mundo.

Batemos na campanhia da pousada onde iríamos ficar pelos dois dias seguintes. A ideia era só deixar as malas e rumar ao parque do Inhotim. Ainda não era hora do check-in, mas quem disse que a Janete, dona da Casa da Horta, se importou? Chamou a gente pra cozinha e já serviu aquele cafezão. Bolo de fubá, pão de queijo quentinho, queijo canastra, “cafezin” passado na hora. “Se tá servido não custa sentar, uai”, disse sem cerimônias.

Rumamos ao Inhotim. Conjunto de cores, arte e sensibilidade para deixar qualquer um de boca aberta. Em frente à galeria da artista Adriana Verejão, eis que surge um moço envergonhado. Largou sua sacola num banquinho próximo e foi se chegando, devagarinho, quase parando. “Cêis, por favor, podem tirar uma foto minha? É que eu agradei dimais daqui!”, “Mas claro”, “Que pose eu faço?”, “Ah, olha pra câmera, para o horizonte”. Já dentro da galeria, o mesmo moço, alguns minutos depois, nos aborda. “Cêis, por favor, podem tirar mais uma foto?”. Foto tirada, cumprimentos feitos e já na saída da galeria, volta o nosso amigo. “Só mais uma coisinha… É que eu não peguei o nome d’ocêis. O meu é Deivison. Muito prazer.” E assim ele rumou todo encantado com o parque. E eu fiquei ali, encantada com aquela doçura de ser.

Fomos de transfer para Ouro Preto. A viagem valeu pela resenha com o Márcio, motorista que já fez de tudo um pouco. E pelas horas que passei com ele entendi que o cara é um fenômeno mesmo. Trabalhou um bocado para ganhar a vida, mas também entendeu que a tal felicidade está nas pequenas pausas. “No caminho tem um lugar chamado Topo do Mundo e a gente passa ‘agarradin’ pela montanha. Eu paro lá pra ‘vocêis’ olharem.” Parada feita. O lugar é “NÓ” incrível. E o Márcio, como bem nos ensinou, não teve pressa nenhuma. Apreciou a vista com a tranquilidade de quem não quer mais correr.

Chegamos a Ouro Preto e lá o tempo era outro. Na lateral de uma igreja, um artista todo jeitoso organizava peça por peça. Ele não insistiu que levássemos qualquer objeto. Só proseou. “A peça sou eu quem faço. A imaginação é vocês quem dão.” Ali eu entendi que experiência boa é assim: são os singelos aprendizados e o sentimento que concedemos em cada novo olhar.