Direto da redação 04/01/2019 21h27 Atualizado às 16h41

O que elas me ensinaram

Pois ainda que o período retrospectiva já tenha passado, decidi fazer uma lista das pessoas que fizeram meu 2018 vibrar mais

Tem coisa melhor do que conhecer pessoas que nos inspiram? Que, de alguma forma, brilham e fazem os nossos olhos brilharem também? Pois ainda que o período retrospectiva já tenha passado, decidi fazer uma lista das pessoas que fizeram meu 2018 vibrar mais. Vai que elas façam o seu 2019 balançar também?

Raquel Franzim

Foi no Laboratório de Inovação Social da Mercur que eu conheci a educadora Raquel Franzim. Sabe aquela pessoa predestinada a mudar o mundo por meio da educação? É ela. À frente do programa Escolas Transformadoras, Raquel mostrou a experiência de escolas públicas que deram certo no Brasil. Ainda que cada uma tivesse perfil diferente, encontravam-se em uma questão: o fomento do protagonismo entre alunos, professores e pais. Raquel ainda organizou uma dinâmica que balançou cada participante da palestra. Pediu que nos espalhássemos pela sala e, lá pelas tantas, parássemos. De alguma forma, todas aquelas 50 pessoas deveriam se conectar sem sair do lugar. Foi um momento lindo, onde uma sala de desconhecidos se uniu, se tocou e se conectou com o olhar. “Observem esse momento e respondam para si mesmos: no trabalho e na vida, vocês trabalham como ilhas ou como pontes?”, disse ao fim da dinâmica.

Carol Teixeira

Não a conheci pessoalmente, mas do que acompanhei pelas redes, dos textos que li e da entrevista que fiz com ela, não tenho dúvidas: a Carol é a força do sagrado feminino. Filósofa, escritora e terapeuta tântrica, ela trabalha para que a mulher entenda que não está aqui para agradar. Que seu corpo não deve servir ao outro. Que o sexo pode – e deve – ser muito mais profundo, longe do desserviço “britadeira” que a pornografia faz.  “A mulher aprende que ela é um corpo para o outro, que ela precisa agradar, servir. No momento em que entra em contato com sua sexualidade, ela sai desse lugar de corpo para o outro e toma posse de seu corpo, sua vida.”

Regina Navarro

Comprei/devorei o livro Novas formas de amar, da psicanalista Regina Navarro Lins, e fiquei um tanto sacudida. Consultora do programa Amor e Sexo (sim, o polêmico), Regina ensina como tornar as relações mais leves. Seu grande objetivo é este: desconstruir condicionamentos culturais e instigar os casais a viver um cotidiano com menos cobranças, longe do ciúme e da idealização do par perfeito. Regina, que me recebeu em seu apartamento no Rio de Janeiro, para uma entrevista, é daquelas pessoas de aura boa, sabe? Que ensina sem precisar se esforçar tanto. É natural. “Hoje vivemos um movimento que se caracteriza pela busca da individualidade e isso nada tem a ver com egoísmo. A grande viagem do ser humano é para dentro de si.”

Fim da lista e qual foi a minha constatação? “The future is female”. Desejo um ano novo cheio de gente inspiradora, de gente que acredita e questione discursos vazios como o da ministra Damares Alves: “meninos de azul e meninas de rosa”. Equilíbrio para lidar com esse retrocesso é o que precisamos para 2019.