AQUELE ABRAÇO 22/03/2019 00h45 Atualizado às 09h26

Sobre a impermanência

O mundo, as relações e os hábitos estão mudando de forma ágil e seremos obrigados a colocar a nossa capacidade de adaptação em prática

Encontre a postura mais confortável de todas.
Permaneça nessa postura por 30 minutos.
A postura mais confortável de todas logo se torna a mais desconfortável.
Tudo é impermanente, inclusive a postura mais confortável do mundo.


Retirei esse trecho do livro As coisas que você vê quando desacelera, do monge coreano Haemin Sunim, quando ele atesta a veracidade dos ensinamentos de Buda. Devorei a obra em poucos dias e essa passagem chegou até mim naquele domingo preguiçoso. Sabe quando a leitura bate? Quando você está atirada no sofá e o negócio te pega tão fundo que é preciso olhar para o teto e simplesmente dar aquele suspiro? Foi mais ou menos assim que eu me senti.
Já havia lido outros livros que tratavam sobre a impermanência das coisas, mas achei essa obra de uma delicadeza e sensibilidade ímpares. Com poesias e relatos pessoais do autor, o livro abrange questões que precisam ser diariamente reforçadas, especialmente se a nossa intenção for sobreviver a esse ritmo intenso. O mais interessante é que entre uma página e outra, você se depara com ilustrações simples, porém profundas que instigam a pensar: “Qual foi a última vez que eu observei uma cena corriqueira, mas tão bonita como essas?”

Tudo é mutável e não temos (mesmo) o controle sobre nada. Adianta se descabelar? Em situações de estresse respire fundo, observe o que se passa, evite o impulso e seja amigo das suas emoções. Deixe que os sentimentos – até os mais negativos – venham e não os reprima. No futuro eles podem voltar com mais força e o estrago pode ser maior. Lembre-se que somos humanos e podemos – devemos – chorar. Limpa, né?

Tempos difíceis se anunciam e precisamos estar equilibrados para encarar os próximos anos. Do conservadorismo à polaridade de opiniões, tudo anda estranho, extremo, intocável.

No meio dessa bagunça, ainda vem a ansiedade. Ao que tudo indica, nossa missão daqui para frente será lidar com o incerto. O mundo, as profissões, as relações e os hábitos estão mudando de forma ágil e seremos obrigados a colocar a nossa capacidade de adaptação em prática. Como fazer isso sem pirar? Cuidando da nossa mente, exercitando o corpo e entendendo que parte de nós é insegurança e medo e que a outra parte é coragem e amor. No fim das contas todo mundo quer apenas ser amado. É isso.

Devemos amar as pessoas como o Sol ama a Terra.
O Sol não escolhe amar a Terra.
Ele nutre árvores e flores sem esperar nada em troca.
Ele não economiza seus raios, iluminando tudo com sua presença.