Aquele abraço 30/05/2019 23h50 Atualizado às 09h44

Cultura salva

Com os olhos, os ouvidos e o coração vidrados no palco, senti um orgulho do tamanho do mundo dos nossos artistas, e só consegui pensar em esperança.

Eram três personagens principais no palco. Duas mulheres, um homem, alguns figurinos brilhantes e uma presença de palco difícil de explicar. Aí, bastou a música começar pra esse coraçãozinho aqui acelerar. Tim Maia, Jorge Ben, Elza Soares, Beyoncé, Michael Jackson, Bob Marley e James Brown foram apenas alguns exemplos do que os artistas Ícaro Silva, Cássia Raquel e Hananza levaram para o palco do teatro Carlos Gomes, no Centro do Rio, na última sexta-feira.
Sabe quando a gente enfrenta uma semana estranha? Pois, em contato com o espetáculo Ícaro and The Black Stars, parece que todas as angústias ficaram para trás.

Mas deixa eu explicar porque vocês não devem estar entendendo é nada. O enredo da peça que circula pelo Brasil desde o ano passado consiste em trazer referências da música black e mostrar, por meio de uma atuação impecável, que existem possibilidades de conviver em um mundo plural e democrático. Arrepio do início ao fim. Música do início ao fim. Ginga, balanço, vibração e entrega do início ao fim. “O que eram aquelas vozes?”

Com os olhos, os ouvidos e o coração vidrados no palco, senti um orgulho do tamanho do mundo dos nossos artistas, e só consegui pensar em esperança: a cultura brasileira vai resistir. Ah, ela vai! Ela tem muito a dizer. E a sensibilizar. Especialmente em tempos em que nossos representantes (representantes?) pouco dão importância a ela.

 É preciso, apenas, que a gente olhe para essas manifestações. “Qual foi a última vez em que você assistiu a uma peça de teatro? Prestigiou algum artista local? Sentiu arrepios ao ver alguma expressão artística ou cultural?”

Não vale dizer que Santa Cruz não tem opção. No caderno Mix deste jornal, meu colega Mauro trata de divulgar toda semana o que de melhor acontece na Santinha. E passa muita coisa boa por aí, sim! Um salve para o Duca e a Simone.

Aproveito a deixa para agradecer o convite. Quem me chamou para assistir à peça foi a Graciela Pozzobon, santa-cruzense que trabalha em um projeto incrível de acessibilidade aqui no Rio. Na peça, ela e uma equipe superdedicada ficaram responsáveis por disponibilizar recursos de audiodescrição e libras. Imaginem, vocês, a responsabilidade que é abraçar uma iniciativa dessas. Orgulho parte dois.

Por fim, e não menos importante, gostaria de dizer que a cultura salva em grandes e pequenas proporções! Minha semana, que começou meio tristonha, terminou de peito cheio. E o teatro foi o culpado.