Aquele abraço 15/08/2019 23h31 Atualizado às 09h30

Preenchendo a saudade

Sentir Santa Cruz, seus lugares e seus sabores. Como eu amo essa cidade

Casaco grosso, bota e manta. Foi assim que cheguei a Porto Alegre na quarta-feira passada, após cinco meses longe da terrinha. Mesmo de olho na previsão, pensei que pudesse ser surpreendida, afinal, o nosso Sul é assim: num dia faz frio, no outro calor e no terceiro estamos resfriados. Botei a cara para fora do aeroporto e aqueles 27 graus úmidos em pleno inverno me esperavam. De fato, cheguei ao RS! Eram tanta saudade e ansiedade misturadas, que eu nem dei bola para as condições climáticas. Ainda bem que foi na semana passada. Ouvi rumores de que o termômetro bateu a casa do zero grau na santinha nesta semana. Nesse caso, eu ia sofrer… Brrrr!

Esperei tanto por essa visita. Rever família, amigos e conhecidos. Sentir Santa Cruz, seus lugares e sabores. Como eu amo essa cidade. E amo cuca também – especialmente se for de requeijão. Ou de chocolate branco.  Ou doce de leite. Bem, amo qualquer sabor de cuca.  

Não consegui encontrar todas as pessoas que eu gostaria, mas pude rever parte daquelas que são fundamentais em minha vida mesmo a distância. Teve dia que passei “tagarelando” com amigas a tarde toda, outro que matei a saudade de um bom e velho carreteiro. E aquela passadinha na Iluminura? Já vasculhei alguns cafés aqui no Rio, mas igual à Ilumi eu não encontrei. Valor afetivo é difícil de substituir, né?

Vi tanta gente e recebi tanto abraço, que a minha sensação ao colocar os pés no aeroporto para voltar foi a de estar recarregada. Preenchida. Estar longe dos nossos dói, e quando a gente tem a oportunidade de sentir esse afeto novamente é preciso aproveitar cada segundinho. Cumpri essa missão com maestria.

Cada escolha, uma renúncia é um dos ditados mais certeiros que já inventaram. Certeiro porque ele conforta. Quer inventar algo novo na sua vida? Certamente você terá que abdicar de outra coisa bem valiosa. No meu caso, foi todo esse convívio que me era tão precioso diariamente. No seu, poderá ser um emprego, uma casa, um lugar de conforto ou simplesmente a falsa sensação de controle.

 Essa coisa de mudar mexe com a gente, mas tem suas recompensas. Nos tornamos mais fortes, vemos o mundo com outros olhos e, o mais importante, nos abrimos para o novo. Essa é a magia. Como diz o meu pai, que já tem seus 61 (com carinha de 50): “Minha filha, a gente vai sofrer, tropeçar, aprender e evoluir até o final da vida”.

Nada está estanque. E eu acredito no meu pai.