Aquele abraço 05/09/2019 23h38 Atualizado às 14h56

Desafio imperfeito

Reverberar os bons momentos que acontecem ao nosso redor o tempo todo. São eles que nos dão força para encarar a confusão aí de fora.

Uma mentalidade feliz exige prática. Retirei essa frase do livro Amor pelas coisas imperfeitas, do monge coreano Haemin Sunim, figura que tive a oportunidade de assistir (e escutar) ao vivo esta semana aqui no Rio. Mestre zen-budista, Haemin, em uma linguagem acessível a todos os públicos, sugere que antes de deitarmos a cabeça no travesseiro para dormir, lembremos de pelo menos três coisas pelas quais somos gratos. Segundo ele, se fizermos isso durante dois meses, vamos ver o nosso nível de felicidade aumentar. Ou seja: em vez de se concentrar no que está errado em nossas vidas, vamos desenvolver o hábito de procurar o que há de bom nelas.

Que tal encarar esse desafio agora mesmo? Tenho certeza de que todo mundo que me acompanha aqui não encontrará apenas três, mas dezenas de motivos pelos quais agradecer.  Vou dar a largada e vocês seguem daí, fechado?

Esta semana recebi a visita de dois amigos (ex-colegas de Gazeta), aqui pelas bandas do Rio. Sentar para tomar uma cerveja e filosofar sobre a vida com as pessoas que a gente ama e sente saudades me parece um motivo e tanto para ser feliz. Na terça-feira, eu também tive a oportunidade de abraçar meu namorado e vibrar com a conquista dele e de uma amiga que lançaram uma exposição de pinturas e desenhos incríveis. É alegria compartilhada que chama, né? Teve ainda uma manhã que acordei cedo para fazer a minha comidinha caseira e prepará-la para levar ao trabalho – arroz e feijão e bife seguem sendo implacáveis.

Ah, eu me exercitei, comi chocolate – porque vida é equilíbrio –,  tive um dia pesado, porém recompensador no trabalho e recebi boas notícias do meu pai. Eu também li, assisti filme, tomei um café da manhã reforçado, dei boas risadas e neste exato momento escrevo enquanto o barulho da chuva bate aqui na minha janela.

Evidente que coisas nem tão legais assim também aconteceram, mas não é sobre isso que viemos refletir por aqui. Aliás, é importante entender os episódios que nos chateiam como motivos para sentir, colocar para fora e aí então aprender. Como diz o Haemin: “Apesar de sermos imperfeitos e de vivermos num mundo imperfeito, que continuemos a amar”.
Não é ser alienado, tampouco perder a capacidade crítica de apontar o que não está bom. É só reverberar os bons momentos que acontecem ao nosso redor o tempo todo. São eles que nos dão força para encarar essa confusão aí de fora. Sejamos mais gratos pela vida e mais leves com as nossas imperfeições.