Coluna 21/02/2020 11h24

Mudança de rumo

Abri várias vezes essa página de word em que agora arrisco algumas palavras e não fui capaz de finalizar um parágrafo

Bloqueei. Não consegui mais escrever. Abri várias vezes essa página de word em que agora arrisco algumas palavras e não fui capaz de finalizar um parágrafo. Deixei de fluir. A vida é mesmo uma caixinha de surpresas e de uma semana para a outra pode mudar. Por aqui, as coisas viraram de ponta-cabeça e os tantos planos que eu havia feito desmoronaram sem muita explicação. Me separei. Mudei de casa e de rumo. Perdi a referência. E agora, por onde eu começo?

Começo pelo abraço dos amigos e pelo impulso que eles naturalmente (e amorosamente) conseguem dar. Sigo o caminho e busco o carinho do pai, do irmão e chamo a força de dona Fátima, que me olha de algum lugar. Ando um pouco mais e troco ideias com pessoas do bem, que renovam e nos fazem entender que a vida é assim: um dia estamos e no outro deixamos de estar. Se dói? Dói pra caramba, mas aceitar é melhor do que qualquer revolta.

Devagarinho, a gente também se descobre e vai fluindo por caminhos que nunca antes imaginou. O novo pode ser tão lindo quanto aquilo que ficou. Curioso é perceber os detalhes desse andar tão desconhecido e profundo. É se permitir ficar alegre e triste... É se permitir ser. Dizer o que sente e não se arrepender. Já diria a minha psicóloga: afinal, é viver! Fazer o que gosta, olhar pela janela, conhecer gente e não sentir culpa. Culpa? Essa a gente manda para bem longe. Até porque dentro de nós ela não apresenta função alguma. Só corrói. Boicote à culpa.

Com esse texto quero dizer que... bem, só quero sentir o bom, o ruim e transformar tudo isso. Vida é arte e pode mudar de sentido quando construímos uma interpretação sensível – e positiva – sobre ela. Viver é lindo. Sentir as dores, aprendizados, tombos e recomeços, também. Sentir com música, então, melhor ainda. Você já escutou Gilsons, trio formado por filhos e neto do Gilberto Gil?

“O tempo
Sara qualquer coisa
E dá saudade também
É preciso entender
Que somos sós
E de mais ninguém.”


Escute Gilsons, escute Gil e ressignifique a nossa impermanência. Até as mais doloridas mudanças têm um porquê. Bom feriadão.