INVESTIGAÇÃO 22/03/2021 08h35 Atualizado às 21h34

Imagens desmentem primeira versão do motorista sobre acidente na BR-471

Câmeras de segurança flagraram momento exato em que o condutor do Cobalt perde o controle e veículo capota. Carro passará por perícia

A Polícia Civil avançou na investigação que apura as circunstâncias do acidente ocorrido na madrugada de 21 de fevereiro, que culminou na morte da santa-cruzense Eveline dos Santos Corrêa, de 28 anos. Nos últimos dias, os agentes da 2ª Delegacia de Polícia (2ª DP) encontraram imagens de câmeras de segurança que mostram o momento exato em que o motorista do Chevrolet Cobalt, que seguia no sentido Rio Pardo-Santa Cruz, perde o controle, sai da pista e capota o veículo em um barranco.

De acordo com a Brigada Militar (BM), que esteve no local logo após o acidente, o motorista alegou que outro veículo, que transitava no sentido contrário, fez com que saísse da pista. “Essa hipótese foi descartada. Fica bem claro, nas imagens que pegam de frente, que não há qualquer automóvel nas proximidades. Ele do nada atravessa a pista e acaba capotando o carro”, afirmou o delegado responsável pelo caso, Alessander Zucuni Garcia.

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O fato aconteceu às 4h30, no quilômetro 149 da BR-471, nas proximidades do depósito de uma empresa de tabaco, junto à rotatória que fica no Distrito Industrial. O condutor, de 22 anos, e a namorada, de 25, que estava no banco do carona, tiveram lesões leves. Eveline, que era colega de trabalho do motorista em uma empresa de distribuição de alimentos em Santa Cruz, estava no banco de trás e sofreu graves ferimentos.

Enquanto o casal conseguiu sair sem dificuldades do Cobalt, Eveline precisou ser removida das ferragens, pois estava inconsciente. Ela deu entrada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Santa Cruz (HSC) às 5h36 do dia 21, com politraumatismo. Sofreu uma infecção dos pulmões devido às perfurações, fratura na clavícula, costela e bacia, além de um coágulo no cérebro.

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No atendimento, um dreno foi colocado em sua cabeça para desinchar o coágulo. Em publicação no Facebook no dia 24 de fevereiro, a mãe, Suelene dos Santos Corrêa, revelou que Eveline havia apertado a mão da enfermeira e deixado cair uma lágrima. O seu quadro, no entanto, foi piorando e, depois de 12 dias na UTI, ela não resistiu e morreu às 16h46 do último dia 5 de março, por traumatismo cranioencefálico.

Eveline dos Santos Corrêa tinha 28 anos

Antes descartada, perícia no carro será realizada

Como não houve morte no momento da colisão – pois a vítima faleceu 12 dias depois –, a perícia no Chevrolet Cobalt envolvido no acidente havia sido descartada. Nos últimos dias, porém, a Polícia Civil decidiu realizar a análise no carro. “Em um primeiro momento, o veículo não havia sido apreendido. Mas em virtude da morte posterior, verificamos que o automóvel ainda estava retido e decidi solicitar esse exame pericial para auxiliar a embasar o inquérito”, explicou Alessander Zucuni Garcia.

A perícia no Cobalt deve ocorrer nos próximos dias. Enquanto isso, testemunhas que presenciaram o acidente foram identificadas e irão prestar depoimento. “Além de analisar as imagens do momento do fato, estamos aguardando o laudo da necropsia no corpo da vítima e também já ouvimos testemunhas. Iremos ouvir mais, na busca de informações que possam dar subsídios ao inquérito.”

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O motorista do Cobalt ainda não foi ouvido. “O advogado dele já entrou em contato conosco, e iremos ouvi-lo em um momento oportuno”, afirmou o delegado responsável pela 2ª DP.

Na madrugada do acidente, agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) ouviram o condutor do automóvel. O homem de 22 anos recusou-se a fazer o teste do bafômetro, mas apresentava visíveis sinais de que tinha ingerido bebida alcoólica.

Um termo de constatação de embriaguez foi lavrado pelos policiais e entregue à Polícia Civil na Delegacia de Polícia de Pronto-Atendimento (DPPA), onde foi registrada uma ocorrência de lesão corporal culposa e embriaguez ao volante. Já pela manhã, por volta das 8 horas, o veículo foi removido por um guincho. De acordo com a PRF, o motorista, ao lado de alguns familiares, acompanhou parte do procedimento.

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