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A consequência da opinião

Na noite do dia 31 de março, ocorreu o primeiro encontro Happy Hour Gerir do ano. O projeto, promovido pela Gazeta Grupo de Comunicações e que completa dez anos em 2026, iniciou as atividades com o tema “Por elas. Pela vida. Um basta à violência contra as mulheres”.

Para debater o assunto e gerar reflexões a respeito da problemática, o encontro reuniu uma equipe de profissionais de diferentes setores: a diretora de desenvolvimento e médica da Unimed Vales do Taquari e Rio Pardo, Cynthia Caetano; a delegada da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), Raquel Schneider; a psicóloga clínica e mestre em Psicologia da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Sheryl Andreatta; e a advogada familiarista e presidente da OAB Santa Cruz do Sul, Manuela Braga.

O debate sobre o tema é urgente: enquanto escrevo a coluna, o Rio Grande do Sul já registra 27 feminicídios em 2026. Nessa semana, em menos de 24 horas, duas mulheres – Veridiana de Barros Alves, de 43 anos, e Ana Beatriz Fernandes da Rocha, 20 – foram mortas dentro de suas casas. E, infelizmente, há probabilidade de que o número aumente até você ler este texto.

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Diante de tamanha violência, é importante que o tema seja debatido diariamente em todos os setores. E isso tem ocorrido de diferentes maneiras. Toda a ação é válida.

Contudo, nem todos pensam assim. No momento em que o debate proposto pelo Gerir foi divulgado nas redes sociais, as publicações foram marcadas por comentários inconsequentes que buscavam invalidar a iniciativa.

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Apesar da relevância técnica do time de convidadas e da necessidade do tema, usuários, na sua maioria homens, decidiram desmerecer a iniciativa, afirmando tratar-se de “muita conversa e pouca ação”. “Chega de blablabla. Deem um centro de treinamento de defesa pessoal e parem só de falar (sic)”, afirmou um dos comentaristas. Infelizmente, até mesmo mulheres diminuíram o evento, afirmando que, na prática, não resultará em nada.

As redes sociais dão liberdade para que as pessoas manifestem suas opiniões. Entretanto, comumente, os usuários esquecem que seus comentários geram consequências, muitas vezes negativas.

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Os comentaristas ignoram o fato de que a violência não se manifesta apenas fisicamente. Antes, o agressor diminui a vítima, a desqualifica, para que ela se sinta impotente. E é só depois disso que passa para a agressão.

Não acredito que tenha sido o objetivo desses usuários. Mas ao ignorarem o currículo das palestrantes, acabam assumindo o mesmo comportamento machista de quem pratica violência doméstica. Isso não significa que eles sejam potenciais agressores. É um problema cultural enraizado na nossa sociedade. Será que fariam os mesmos comentários se fossem homens debatendo?

São comuns os comentários rasos e sem embasamento que resumem o enfrentamento à violência contra a mulher a punições mais severas ou treinamento (até armado) para se defenderem. A solução não está na própria violência, mas no fim dela. Primeiro, escutando o que mulheres como as palestrantes têm a dizer, o que acredito que nenhum dos comentaristas fez antes de se manifestar. Se continuarmos ignorando ou desrespeitando as mulheres, especialmente aquelas que tentam frear a violência, a pilha de cadáveres só aumentará.

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Julian Kober

É jornalista de geral e atua na profissão há dez anos. Possui bacharel em jornalismo (Unisinos) e trabalhou em grupos de comunicação de diversas cidades do Rio Grande do Sul.

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Julian Kober

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