Regional

A grande família

O Brasil é conhecido, pelo menos aos nossos olhos, como celeiro do mundo. Imaginamos uma grande feira rural onde os demais países passam para garantir a refeição saudável e a baixo custo. Apesar de nossa produção representar um gasto elevado para quem planta, isso tem peso menor para quem compra, porque vendemos commodities. Boa parte do que exportamos não passa por transformação. Dessa forma, incrementamos a indústria mundial e nos tornamos grandes clientes daquilo que agregará valor ao que plantamos.

Assim como o Brasil é visto como o celeiro mundial, os gaúchos enxergam o Estado como o celeiro brasileiro. É daqui que sai 70% do arroz consumido no País. Os grãos que nascem e são colhidos por nossas planícies garantem o bom casamento com o feijão paranaense e a carne do Mato Grosso do Sul. Está completo o prato do brasileiro. Mas e a mandioca, a batata, a série de verdes que colorem os pratos e dão sobrevida aos corpos humanos?

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Os hortifrútis até são produzidos nas grandes fazendas, mas basicamente estão sob a responsabilidade dos pequenos produtores, aqueles que são chamamos de agricultores familiares. São eles que transformam minifúndios em grandes espaços de produção, garantindo alimentos para a merenda escolar, abastecendo as feiras rurais, que são um paraíso para quem busca alimentação saudável, e atraem todos os públicos em eventos que parecem segmentados.

Um exemplo é o Pavilhão da Agroindústria Familiar da Expoagro Afubra. A partir desta terça-feira, muita gente vai se encantar com os implementos, as inovações, as descobertas e as formas de ampliar a rentabilidade. Os visitantes não vão deixar de passar nas bancas do Schneider, do Seu Zé, da Dona Maria. É gente que usa bois e arado para preparar o quintal para o plantio; que tem os olhos brilhando quando vê o sorriso do cliente ao bebericar uma prova do suco ou mordiscar a lasca do salame de búfalo, por exemplo.

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A importância é tamanha que deveríamos reverenciar essas pessoas, junto às orações pelo alimento que teremos. O músico Chico Antônio percebeu isso quando popularizou a canção Agricultura Familiar. “Para o café, o almoço e o jantar, e para a nossa segurança alimentar, vamos viver, vamos beber, vamos comer produtos da agricultura, agricultura familiar”, diz a letra. E não é favor algum, ainda mais na atualidade, em que aqueles que faziam o docinho para os filhos viraram marca e passaram de propriedades de colonos a serem chamados: agroindústria familiar.

Talvez ler o Marcio Souza não seja suficiente para entender a importância. Quem sabe possamos ter epifania em que as plantas falem, como na música de Leôncio e Leonel. “Um pé de café falou: meu cartaz está aumentando. O café no estrangeiro é o Brasil quem está mandando”, cantaram. A cuca, a linguiça, a rapadura, o suco, a cachaça, a cerveja, a infinidade de produtos do Pavilhão fariam um falatório gigantesco recheado de sabor, cada um com seu argumento gustativo convincente. Enfim, leve uma sacola retornável e garanta todas as gostosuras.

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Marcio Souza

Jornalista, formado pela Unisinos, com MBA em Marketing, Estratégia e Inovação, pela Uninter. Completo, em 31 de dezembro de 2023, 27 anos de comunicação em rádio, jornal, revista, internet, TV e assessoria de comunicação.

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Marcio Souza

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