Por esses dias, enquanto deixava o lixo doméstico no contêiner próximo ao prédio onde moro, reparei no tanto de lixo espalhado em volta. Retalhos de sacola plástica, papéis de bala, garrafinhas PET, tampinhas. Impossível não perceber. Enquanto lamentava a situação, recolhi todo o material e o coloquei no devido lugar. No dia seguinte, a cena se repetiu. No outro, também. Nesse último, aliás, um copo plástico, jogado no meio-fio junto à calçada, estava prestes a cair numa boca de lobo e, certamente, se juntaria à rede de esgoto. Possivelmente, outros tantos copos ou materiais semelhantes já estavam depositados nesse mesmo encanamento.

Em paz com a minha consciência, exerci meu papel de cidadã. Pensei nos alagamentos, nas chuvas, na promessa do El Niño e seus efeitos para esses próximos meses. Pensei também, com o tanto de indignação que me fez trazer a pauta para esta coluna: “será que ninguém mais está vendo esse lixo aqui?, “será que ninguém mais se habilita a recolher?”, “será que ninguém mais se importa?”. Em meio a essas indagações, compartilho outro questionamento que soa também como inquietação: “o que deixamos de fazer por julgar não ser nossa a responsabilidade?”, ou melhor, “com frequência estamos deixando de fazer?”.

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Há quem vá apontar o dedo e argumentar “esse lixo não é meu”. E isso realmente importa quando o correto é evitar que a exposição desse mesmo lixo continue a ponto de ocasionar um problema que não vai atingir apenas o “seu dono”, mas muitas outras pessoas? Se o responsável por esse lixo não fez a parte dele, vamos fazer a nossa. É essa consciência, a parte de cada um que, no fim das contas, impacta o todo, o coletivo. E, ironicamente, é justamente esse coletivo, formado por aqueles que costumam deixar de fazer a sua parte, que reclama seguidamente que a rua alagou, que a rede pluvial não tem a vazão necessária para escoar a água de uma enxurrada e por aí adiante. E lembremos: é também o coletivo que acumulará perdas com tudo isso – e quantas vimos nas enchentes como as de 2024!

Fora essa seara, com quantas outras situações nos deparamos no cotidiano, mas fizemos de conta não ver, não importar? Reparemos, por exemplo, no ambiente de trabalho. O lixo do banheiro está sempre no lixo? A pia da cozinha permanece sem louça suja depositada? A bituca de cigarro é jogada apenas na lixeira? Normalmente, não. Normalmente, ainda é preciso reiterar os pedidos de colaboração coletiva com cartazes ou bilhetes. E nem assim parece ser suficiente, já que as situações se repetem. Aprendi, ainda criança, que lugar de lixo é no lixo e que não me custa nada guardá-lo comigo até que eu tenha condições de armazená-lo em local apropriado.

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Tudo isso, sei bem, não soa novidade. Não é de hoje que o lixo é jogado na rua, mesmo havendo lixeiras e contêineres nos mais diversos locais. É por isso também que surgem cada vez mais iniciativas para cuidar do meio ambiente, para dar o destino adequado ao lixo que alguém preferiu deixar na rua, na praça, no arroio, na natureza… Que bom que há quem se preocupe e defenda o meio ambiente agindo, prevenindo e não só reclamando quando o problema já aconteceu. Sem qualquer pretensão de entoar discurso, me sinto na obrigação de lembrar que não custa nada cuidar do que é de todos. Sendo de todos, logicamente é nosso; é meu, é teu.

E todas as vezes em que ignorarmos questões que são nossas, falharemos como cidadãos, falharemos como humanidade. Já é passada a hora de tirarmos o olho do próprio umbigo para perceber o que está ao nosso redor e é, sim, do nosso interesse. Aliás, como bem se observa em citação atribuída ao escritor e palestrante americano Jim Stovall, “integridade é fazer o certo mesmo que ninguém esteja vendo”. E isso não se limita necessariamente ao lixo; diz respeito ao que cabe e compete a cada um.

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Cláudia Priebe

Cláudia Priebe é natural de Candelária (RS). Graduada em Jornalismo pela Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) desde 2005, onde também concluiu especialização MBA em Agronegócios, em 2008, começou a atuar na área ainda em 2002. Sua primeira experiência foi no meio impresso, no Jornal de Candelária, local em que, por mais de dois anos, desenvolveu atividades como repórter, fotógrafa e revisora. Entre 2005 e 2008 atuou no grupo das Rádios Sobradinho AM 1110 e Jacuí FM 97,3, em Sobradinho (RS). Nesse período desenvolveu atividades como redatora, repórter de rua, locutora e produtora de programas jornalísticos, além de fazer apresentações de eventos promovidos pelas duas emissoras. Em 2008 retornou para o meio impresso, desta vez para o jornalismo especializado, e atuou como jornalista freelancer da Editora Gazeta, da Gazeta Grupo de Comunicações. De 2009 a 2015 integrou a equipe da Folha de Candelária, também em Candelária, tendo acumulado as funções de repórter, fotógrafa, revisora e subeditora nos três primeiros anos e a edição geral, coordenando uma equipe de outros quatro repórteres, nos três anos finais. Nesse mesmo período prestou serviços para a Cassol Publicidade e Propaganda, de Candelária, na redação semanal das sessões da Câmara de Vereadores de Candelária. Entre os anos de 2015 a 2023 atuou como assessora de imprensa do Sindicato dos Empregados no Comércio de Santa Cruz do Sul, sendo responsável pela comunicação interna e externa da entidade, bem como pela produção e edição de materiais gráficos diversos. Em 2023 retornou para a Gazeta Grupo de Comunicações, onde atualmente se dedica à produção e edição de conteúdo para os cadernos especiais do jornal Gazeta do Sul e de conteúdos patrocinados para o Portal Gaz, atendendo clientes de segmentos como comércio, indústria e prestação de serviços. Eventualmente, atua, também, como revisora do jornal.

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