Chris: “A gente está num momento de protagonismo feminino dentro das letras” | Foto: Léo Salvador/Divulgação/GS
Uma especialista e entusiasta em torno do incentivo à leitura, com cinco dezenas de obras em literatura infantil, e que estreia em ficção adulta, será a grande estrela da 36ª Feira do Livro de Santa Cruz do Sul, nos dias 6 a 15 de novembro, na Praça Getúlio Vargas. Natural de Porto Alegre, Chris Cidade Dias foi anunciada na quarta-feira como a patrona da edição.
Nessa sexta-feira, 17, a autora participou ao vivo, por telefone, do programa Chá da Uma, apresentado pela jornalista Cláudia Priebe, na Rádio Gazeta FM 107,9, quando comentou a alegria dessa homenagem e da expectativa em vir a Santa Cruz.
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Autora de cerca de 50 obras direcionadas ao público infantil, e com trajetória reconhecida dentro e fora do País, Chris estreia em ficção adulta com o romance A mulher que ouvia os quadros. Ambientada em Toledo, na Espanha, a narrativa acompanha um grupo de mulheres frequentadoras da Catedral, em torno de um segredo que se desdobra a partir de um crime.
O programa Chá da Uma teve ainda a presença, no estúdio, das três coordenadoras do grupo Leia Mulheres de Santa Cruz do Sul, Ana Luiza Martins, Luana Ciecelski e Rosiana Kist. Elas participaram do bate-papo com a patrona. Confira algumas considerações de Chris durante conversa com a jornalista Cláudia Priebe e as demais integrantes da bancada (além de Ana Luiza, Luana e Rosiana, participaram as jornalistas Carina Weber e Karoline Rosa, do Portal Gaz).
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Fiquei muito feliz com a notícia, porque a gente está num momento em que o protagonismo feminino dentro das letras é muito bacana. Hoje as feiras ocupam um lugar tão incrível de presença, e para a gente sair desse apelo das telas e desse monte de coisas em que estamos inseridos, para conseguir se encontrar olho no olho. É uma bênção. Aceitei o convite com imensa honra, foi como se as luzes se acendessem ao meu redor, indicando onde estão os leitores.
Claro, conheço já o trabalho de Santa Cruz, é um trabalho de base com as escolas, de formação de leitores. Estou com uma expectativa muito realista também, tenho certeza de que as escolas e os professores vão fazer trabalhos lindos com essa base de formação.
Estou também muito contente, pois neste ano lanço meu primeiro romance para o público adulto. Vem a calhar esse momento de conversar com os leitores crianças, até por saber que esse trabalho é lindo, porque já vi coisas maravilhosas acontecendo nas escolas aí. E agora tenho a chance de mostrar esse novo momento da minha vida, que é o romance para adultos.
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Não sei se vocês acompanharam, agora durante o período da Copa, fiz um projeto aqui em Porto Alegre chamado Copa de Autoras. Convoquei as livrarias de calçada, que foram parceiras nisso, para conversar sobre autoria feminina e de autoras latino-americanas. E, por sinal, a gente até pode fazer um momento desses durante a Feira de Santa Cruz.
Observando e lendo as autoras que tive a oportunidade de ler dentro desse projeto, o que senti? Que chegou também a minha hora de falar e ter condições emocionais, afetivas e de autoestima, de contar outras histórias além daquelas que contava para a infância. Acho que estou inserida nesse momento em que tantas mulheres estão escrevendo, sabe? Estão escrevendo para adultos. Me sinto fazendo parte de um movimento.
Claro, é um processo meu. Eu tinha essa história para contar, queria muito contar ela. Já estou escrevendo um segundo romance, e vendo que tem uma série de novas histórias chegando e que conversam com o público adulto, além do público infantil. Para mim, é aquela familiaridade: estou fazendo 60 anos neste ano, e me sinto como se estivesse abrindo as minhas asas em busca de novos leitores, inclusive os meus leitores de 20 anos atrás, quando comecei na literatura, e que cresceram. Tenho oportunidade de ver algumas pessoas que agora são adultas e me leram na infância, e estão lendo na maturidade.
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Acho que também é um convite para que muitas pessoas se arrisquem a escrever seus romances, se arrisquem a contar suas histórias. A gente tem muitas histórias lindas que ainda não foram contadas, né?
O primeiro chama-se A mulher que ouviu os quadros, e pretendo lançar aí durante a feira. E no segundo romance faço uma visita a mim mesma, me encontro: quando e como as minhas referências pessoais me trouxeram até aqui? Portanto, faço uma visita pela minha própria vida: meus mistérios, minhas sombras, coisas que me trouxeram até aqui. Esse é o desafio agora. Até já coloquei o ponto final, e está em processo de revisão, talvez demore uns meses para que possa ir para alguma editora.
Tenho amigos maravilhosos que moram aí: a Léla Mayer, minha amiga querida; a Sônia Luz… Eu já estive com elas e também visitei algumas escolas. Sei que a feira daí é poderosa, envolve a comunidade. E estou vendo mesmo que é uma feira que faz bem. Quando se sabe que uma Feira de Livro envolve uma comunidade, a gente sabe que ali tem uma comunidade leitora. E se tem uma comunidade leitora, tem uma comunidade potente, por natureza.
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Isso! De boas conversas, de bons projetos. O que sei de Santa Cruz do Sul é isso, que as pessoas têm uma formação cultural muito sólida, e que essa feira é um arraso. Estou muito motivada para conversar a respeito de cultura em geral, e em especial sobre essa escrita produzida por mulheres, na atualidade. Tem muitas mulheres trabalhando muito lindamente e escrevendo.
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