Romar Beling

Agora, a Copa da educação?

Chegamos a um fim de semana com a Copa do Mundo, o evento mais importante do futebol, ingressando na reta final. E, para decepção ou lástima dos brasileiros, sem a presença de sua seleção. A desclassificação ocorrida no último domingo, na derrota por dois a um para a Noruega, deixa um sentimento amargo de frustração e desconforto, e impõe inúmeros questionamentos: a começar pela importância um tanto exagerada que o país dá a esse esporte, diante de suas cinco conquistas, ainda feito único. Até que ponto muda algo prático na vida (ou na qualidade de vida) da população se um país é mais ou menos eficiente nos gramados?

Pela forma melancólica como a participação no evento de 2026 se encerrou, tem-se a constatação do fosso que separa as esperanças e a energia que a população brasileira mobiliza em relação ao desempenho da seleção na Copa e a maneira como os jogadores que representam o País a disputam. Mal o jogo havia sido concluído e os atletas já debandaram cada qual para seu lado, em jatinho particular ou aeronave locada. Voltar para o Brasil e retomar a vida real, como cada brasileiro, da cidade ou do campo, precisou fazer? Mas que Brasil, se os jogadores há anos residem em paraísos distribuídos pelo planeta?

Na prática, a identificação dos atletas com a seleção hoje parece mínima, ou se resume ao proveito que eles têm, em valorização de seu passe ou exposição de sua grife. No caso de alguns, não fica a nítida impressão de que atuar pela seleção é até um incômodo, um transtorno, inclusive para suas exibições em campanhas de publicidade e nas redes sociais? Treinar e jogar atrapalha: eles queriam estar fazendo outra coisa.

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Para muitos atletas, é muito mais importante assegurar um bom e longo contrato em algum clube bilionário ou trilionário do que qualquer compromisso com a representação de seu país de origem ou de cidadania. São, na prática, uma espécie contemporânea de mercenários, que até mudam de nação conforme a conveniência, como fazem soldados que lutam com aquele e para aquele que melhor os convence. Já não há pátria de chuteiras: há pátria sendo chutada, e até com muito pontapé.

Passada a Copa (para nós), fica a percepção de que há coisa muito, mas muito mais séria e urgente a resolver do que torcer, no futebol, por atletas inconsequentes e pouco preocupados com a imagem que deixam do que é ser Brasil. E que nem parecem compreender o que é lutar. Temos, em realidade nacional, muitas prioridades. Talvez nenhuma maior do que a educação, que se traduz em aperfeiçoamento constante, aprendizagem constante, respeito aos demais e tratamento ético e justo em sociedade, ou em zelar para que todos tenham a oportunidade de se realizarem enquanto pessoa.

A Noruega, que ganhou de dois a um do Brasil, no que tange a educação aplica uma goleada constrangedora em nosso país, infinitamente mais constrangedora do que um sete a um ou até um dez a zero no futebol.

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Por essa razão, agora que a Copa se encerrou mais uma vez para nós nos gramados, seria pertinente que a Copa da educação começasse para valer, e que nela o país finalmente se posicionasse entre os primeiros, até, quem sabe, um dia chegar ao pódio.

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Romar Behling

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