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Aluna realiza trabalho sobre exposição ocupacional

Foto: Assessoria de Imprensa




Agricultores participaram da pesquisa
A Universidade Luterana do Brasil-ULBRA/Canoas, realizou na última segunda-feira (29), em Sobradinho, por intermédio do Cerest/Vales, o Projeto de doutorado “Efeito da Exposição Ocupacional a Agroquímicos na Fumicultura: avaliação molecular e celular dos mecanismos de ação”, da acadêmica Vívian Francília Silva Kahl, orientado pela doutora Juliana da Silva. Para tanto a Secretaria de Saúde mobilizou os trabalhadores rurais do município a comparecerem naquele dia na unidade de saúde de Vila Gramado, ou no Ambulatório Municipal. No total foram coletadas 31 amostras de sangue de produtores rurais para posterior avaliação molecular e celular dos mecanismos de ação da exposição ocupacional à agroquímicos na fumicultura.
Atualmente, o grupo de pesquisa da Universidade, através deste trabalho de doutorado, pretende explorar que tipo de dano é esse e qual o mecanismo de ação dos agroquímicos, no que diz respeito a algumas estruturas do cromossomo humano. De forma geral, quer se conhecer a ação de produtos industrializados e da nicotina, com o objetivo de explorar melhores condições de trabalho na lavoura de fumo, assim como educar os trabalhadores quanto à necessidade do uso completo do equipamento de proteção individual, em que épocas da safra eles estão mais expostos à nicotina, por exemplo, e o que fazer para se cuidar melhor. Para isso, é necessário coletar amostras de sangue e amostras de mucosa oral (com uma escova dental infantil, de forma indolor) de indivíduos trabalhadores das lavouras de fumo, assim como de indivíduos que residam nas mesmas cidades e/ou regiões dos fumicultores, mas que não trabalhem na lavoura. Estes últimos servirão como grupo controle, ou seja, indivíduos não expostos com os quais poderão ser comparados os resultados dos indivíduos expostos.

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De acordo com a enfermeira responsável pelo Programa Saúde do Trabalhador, no município, Luciana Puhlmann foi muito importante a participação dos trabalhadores rurais de Sobradinho, pois além da coleta de sangue para análise, também foram repassadas orientações pré e pós teste pela pesquisadora, uma vez que ao longo dos anos o uso de agrotóxicos tem se tornado indispensável para viabilizar a produção agrícola, sendo usado amplamente no cultivo de tabaco. Seu uso inadequado, no entanto, vem trazendo diversos danos ao meio ambiente e à saúde do trabalhador rural, expondo-o a riscos ocupacionais. Sendo esta pesquisa do Programa de Pós-graduação em biologia celular e molecular um importante instrumento para o planejamento, organização e desenvolvimento de ações em saúde pública que asseguram, a partir de medidas preventivas, a qualidade de vida do trabalhador rural e do ambiente.
Conforme o secretário de Saúde, Nilo Wietzke, “a melhoria das condições do trabalho no campo, assim como a importância da educação ocupacional aos agricultores, é de extrema importância para o bom desenvolvimento do trabalho e para a manutenção das lavouras, daí a relevância da participação destes produtores rurais no projeto”.

Saiba mais
O Brasil é o segundo maior produtor e o maior exportador de tabaco no mundo, fazendo da fumicultura uma atividade que movimenta grandes quantias financeiras e que emprega cerca de 2,5 milhões de pessoas, desde o plantio até a comercialização. A fumicultura é altamente desenvolvida nos municípios do Rio Grande do Sul, e na maioria deles, a lavoura é considerada familiar, com propriedades com menos de 18 hectares em média. O uso intermitente de agroquímicos na fumicultura é justificado pelo longo período de safra, dividido em diversas etapas e ainda porque o tabaco pode ser agredido por muitas pragas. Tanto agroquímicos industrializados quanto a nicotina, um agroquímico natural da planta de tabaco, são conhecidos por causarem alguns problemas à saúde dos trabalhadores das lavouras de fumo. Alguns estudos do grupo de pesquisa da ULBRA mostraram que o uso incompleto de equipamento de proteção individual e a falta de conhecimento com relação ao uso de alguns produtos, assim como a exposição constante aos agroquímicos e à nicotina, levaram a alguns danos no material genético dos indivíduos ocupacionalmente expostos, sendo a informação uma grande aliada para reverter este quadro atual.

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