Jasper

Amigos para sempre

“Amigos e rios mudam e seguem os mesmos.” Esse é o título de uma crônica que li em um jornal de Porto Alegre. O autor arrola os benefícios advindos das verdadeiras amizades, aquelas que duram a vida inteira, independentemente da quantidade de encontros. O que vale, de verdade, é a qualidade da parceria que ultrapassa anos, agruras e que teima em persistir há décadas.

Muitas vezes uma amizade duradoura surge de maneira insólita. Pode ser forjada depois de um “encontro” na fila do supermercado ou na sala de espera do laboratório. Ou dentro do elevador que ficou trancado por alguns minutos ou até mesmo através do convívio diário na faculdade ou no trabalho.

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Estamos diante de um paradoxo inédito enfrentado pela humanidade. Vivemos em plena era da informação. Não existem segredos – à exceção daqueles que resumem os mistérios de segurança nacional ou internacional. Os pacientes já chegam ao consultório médico com um autodiagnóstico com base nas informações capturadas no Google. Conferiram sintomas e indícios, o que também leva à automedicação.

O massivo volume de conteúdos sobre os variados temas, porém, mostra-se incapaz de ser eficiente contra a solidão, depressão e sentimento de abandono de milhões de seres humanos. Ao mesmo tempo, temos uma geração com extrema dificuldade para manter relacionamentos pessoais, seja no ambiente profissional, seja socialmente. As telas estão em alta.

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Voltando às amizades “que valem a pena de verdade”, com o passar do tempo a valoração dessas relações só aumenta. Aos poucos nos damos conta da preciosidade dos amigos cuja afinidade desafia o tempo.

A chegada da maturidade nos faz olhar para os lados e perceber que restam poucos companheiros de jornada. Ou seja, quanto mais raros, mais valiosos. É a lei da vida: oferta e procura. Raridade significa valor agregado, valoração em alta. Bons amigos são investimentos a longo prazo, bem-feitos e com retorno garantido. E o melhor: é pra toda vida.

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Amigos a gente escolhe. Não precisamos de muitos, mas de bons e valiosos parceiros para compartilhar agruras, comemorar conquistas ou apenas que nos ouçam de vez em quando, sem censuras. Amigo não precisa estar sempre ao nosso lado. Pode viver longe. A gente sabe que, quando precisar, ele estará lá, à nossa espera. Sem julgamentos, acusações e olhares de repreensão.

Como tudo no cotidiano, chegar à idade de valorizar os verdadeiros companheiros implica sofrimento, como perder amigos do peito, fiéis escudeiros que defendem, entendem e incentivam. Na atual seara da minha vida sessentona, as perdas são cada vez mais frequentes e dolorosas.
Isso, no entanto, serve de estímulo para buscar, cada vez mais, o reencontro com quem faz a vida valer a pena!

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Gilberto Jasper

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