Foto: Joédson Alves | Agência Brasil
O Rio Grande do Sul chegou, neste fim de semana, à marca de 17 feminicídios desde o começo do ano – um deles ocorrido em Santa Cruz do Sul no mês passado. Os casos mais recentes envolveram a diretora-administrativa da Secretaria do Esporte e Lazer (SEL), Roseli Vanda Pires Albuquerque, de 47 anos. Ela foi morta sábado, 21, em Nova Prata, sua cidade natal. O outro registro envolve uma moradora de Mostardas, no Litoral Sul do Estado.
As ocorrências repercutiram ao longo do fim de semana. Em vídeo publicado nas redes sociais, o governador Eduardo Leite falou do caso de Roseli e recordou os demais acontecimentos do gênero. Ao classificar o crime como uma “patologia social”, Leite assegurou a ampliação de medidas protetivas e destacou a trajetória da servidora na defesa dos direitos das mulheres.
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Roseli teve uma carreira consolidada na vida pública. Além do cargo na SEL, foi vereadora por dois mandatos em Nova Prata, onde se destacou pelo trabalho voltado à inclusão de pessoas com deficiência. O governador ressaltou que a história da servidora foi “interrompida de forma brutal” e manifestou solidariedade a familiares e amigos.
Além da morte de Roseli, outro caso vem sendo investigado como feminicídio. Trata-se do assassinato de Glai Maria da Costa Conceição, 48 anos, que foi encontrada em sua residência na cidade de Mostardas.
Até o momento, o principal suspeito é o companheiro da vítima, um homem de 36 anos, com quem ela mantinha um relacionamento há pouco mais de um ano. Segundo informações divulgadas pelas autoridades policiais, o suspeito possui antecedentes e já havia sido detido no ano passado por agredir a vítima. Ele recebeu liberdade há cerca de duas semanas.
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No vídeo, Leite ressalta que casos como estes ilustram a complexidade da violência doméstica, muitas vezes silenciosa por décadas. Em relação a Roseli, ela e o agressor foram casados por 28 anos, mas houve apenas um registro policial, em 2017. O cenário reflete os indicadores estaduais: este foi o sexto feminicídio no Rio Grande do Sul apenas em fevereiro de 2026, superando o índice do mesmo período do ano anterior.
“São números de um cenário assustador que precisam alertar a todos. Depois de anos em que conseguimos reduzir esse tipo de crime no Estado, os casos voltaram a crescer em 2025 e seguem em alta neste início de 2026. Isso é inaceitável. Isso é revoltante. Não podemos normalizar”, afirmou o governador, reiterando que o crime é fruto do machismo e da “ideia absurda de posse”.
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Na publicação, o governador reforçou que o tema deve estar acima de disputas partidárias ou do clima eleitoral. Para ele, a politização do debate enfraquece as soluções construídas com o Legislativo, Judiciário, Ministério Público e Defensoria Pública. “A dor das famílias não tem partido. A vida das mulheres não pode virar instrumento de disputa política. Quando a gente transforma esse debate em palanque, a gente dispersa energia e divide quem deveria estar unido”, comentou.
Para enfrentar o problema, o governo estadual tem investido de forma transversal em segurança, saúde, educação e assistência social. A estratégia inclui o diálogo constante com os demais Poderes e a intensificação da mobilização junto aos municípios para capilarizar o atendimento. O Estado também conta com a Secretaria das Mulheres (SDM), Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams), Salas das Margaridas e as Patrulhas Maria da Penha. No campo tecnológico, destacam-se a Medida Protetiva de Urgência Online, o Programa de Monitoramento do Agressor e a campanha Não maquie, denuncie.
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