Tivéssemos um sistema parlamentarista, possivelmente o governo e o primeiro-ministro já teriam “caído”, sem sustentação parlamentar e popular, tantos são os abusos e os escândalos em curso.
Logo, face ao mal-estar nacional, com certeza também não haveria clima nem condições de um novo primeiro-ministro reconstituir uma maioria parlamentar suficiente para restaurar a governabilidade.

E cairiam juntos o primeiro-ministro, o parlamento e, possivelmente, o próprio chefe de Estado. Consequentemente, eleições gerais e imediatas seriam convocadas. Mas o Brasil mantém o sistema presidencial.

Mas tudo pode ser bem pior do que já é. Basta observar a decadência definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF). Nos últimos dez anos, registrei os inúmeros episódios negativos, ricos em ilegalidades, inconstitucionalidades, atos de censura, abusos de poder e invasões de competências institucionais alheias, que somados resultaram em seu total descrédito.

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Agora, em cínico estado de consciência e responsabiidade tardias (onde “estavam e o que faziam” o ministro Fachin e colegas enquanto eram cometidos os abusos institucionais em série?), o presidente do STF sugere a criação de um código de conduta.

Um código de ética para os membros do STF. Como se fosse um colégio de adolescentes. A “genial e singela” iniciativa soa como uma ofensa aos cidadãos que sabem o que se passa na República. Que sabem o que se passa no STF, hoje uma confraria.

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Exemplo. Pesquisa recente do UOL revelou que “parentes de ministros do STF já atuaram em 1.925 processos nos dois tribunais superiores (STF e STJ – Superior Tribunal de Justiça). Desses processos, ao menos 382 ainda estão ativos e aguardam decisão final das cortes.” (Fonte: www.uol.com.br)

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Assim como os cidadãos também sabem o que se passa no Poder Executivo e no Congresso Nacional. Não à toa, a degradação e irresponsabilidade dos três poderes de Estado são assustadoras e preocupantes.

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O momento é tão revelador e constrangedor que até mesmo a “dócil e grande mídia” foi obrigada a registrar alguns fatos. Não todos que deveria. Afinal, proposital ou não, já não há jornalismo investigativo. Salvo iniciativa de um ou outro jornalista, imediatamente lacrado pelos “amigos do poder”.

Aliás, nem debate ideológico há. Fato notório em todos os partidos e na prática parlamentar. Como que indiferentes ao destino e ao futuro nacional, há uma espécie de “impermeabilização cognitiva”.

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Transformaram a política num ordinário balcão de negócios, onde a regra é a apropriação privada. São os conluios entre o público e o privado. São as novas oligarquias. Travestem o antigo e sofisticam a apropriação do Estado. É a feudalização da nação. São as confrarias!

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Astor Wartchow

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Astor Wartchow

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