Polícia

Ataque contra igreja em Monte Alverne pode ter sido motivado por intolerância religiosa

O ataque a pedradas contra a Igreja Assembleia de Deus no distrito de Monte Alverne, no interior de Santa Cruz do Sul, pode ter sido motivado por intolerância religiosa. A suspeita foi leventada pelo pastor Juliano Neumann, responsável pelo templo, que detalhou as circunstâncias que podem ter levado à ação criminosa.

Em entrevista à Gazeta do Sul, Neumann relatou que, na madrugada de sábado, 21, havia muito barulho no distrito em razão de uma festa de Carnaval. O pastor, que reside com a família na casa pastoral nos fundos da igreja, ouviu alguns “estouros” durante a madrugada, mas não saiu de casa no momento. “Para nós é normal ouvir barulho, por isso não saí para olhar. Somente pela manhã percebi que a igreja havia sido danificada.”

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Ao todo, 13 pedras foram arremessadas contra o templo, resultando em cinco vidros quebrados e danos nas paredes. “As pedras estavam do lado de dentro e do lado de fora. Foram lançadas de uma distância de aproximadamente 25 metros”, destacou o religioso. “Somente uma pessoa com muita força conseguiria atirar pedras do tamanho de uma bocha. Fiquei assustado.”

Após o ocorrido, o pastor recebeu relatos de moradores indicando que um homem residente no interior do distrito seria o autor do ataque. A motivação estaria ligada a uma briga familiar: uma mulher teria fugido de casa, dizendo viver em cárcere privado, e pedido ajuda para “viver um momento com Deus”, pois o marido a proibiria de frequentar igrejas.

Acolhida por outra família, a mulher teria sido alvo de uma tentativa de “resgate” pelo suspeito, que não aceitava o fim da relação. “Durante o ataque, a família que acolhia a vítima começou a pedir por Deus, para que aquele homem parasse”, continuou o pastor. Segundo Juliano Neumann, essa pessoa teria dito que como eles não queriam devolver a mulher, ela iria “se encontrar com Deus”. Em seguida, saiu por volta das 3 horas da casa onde ela estava.

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Foi nesse horário que o religioso ouviu os estouros mais fortes. “O que me informaram é que houve muita gritaria desse homem e que, neste momento, ele atirava pedras contra a igreja”, disse. Devido ao apedrejamento, o pastor acionou a Brigada Militar, que foi ao local pela manhã e registrou ocorrência de dano ao patrimônio. Caso a suspeita de intolerância religiosa seja confirmada, ele salientou ser algo inadmissível contra a entidade.

Ele também agradeceu à vidraçaria de Linha Santa Cruz, que fez doação para a recuperação dos vidros, e pediu reforço na segurança pública de Monte Alverne, sugerindo a reativação do posto da Brigada Militar.

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Juliano é o responsável pelo templo | Foto: Tiago Garcia

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Providências

O pastor Leandro Angelo, presidente da Assembleia de Deus Santa Cruz do Sul (Adesc), repudiou o ato em nota à imprensa. “Trata-se de uma atitude lamentável e desrespeitosa, que fere um espaço dedicado à fé e ao serviço comunitário.” Segundo ele, o autor já foi identificado pelas autoridades.

A Brigada Militar confirmou que há câmeras de monitoramento em residências e comércios próximos que podem auxiliar na investigação. O delegado Alessander Zucuni Garcia, que responde interinamente pela 1ª Delegacia de Polícia, informou que aguarda a entrada dos dados no sistema para abrir o inquérito e apurar o caso.

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Tiago Garcia

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Tiago Garcia

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