Há dois anos, a vale-solense Júlia Kist sonhava em jogar futebol e estudar nos Estados Unidos. O que antes era apenas um simples desejo agora promete transformar a vida da atleta de 17 anos, que atuava no Santa Cruz Futsal Feminino. A convite da Indiana State University, de Terre Haute, no Estado de Indiana, ela vai cursar Química e disputar a primeira divisão da NCAA (liga de esporte universitário). O caminho começa a ser trilhado às 23h30 desta quarta-feira, 8, quando Júlia embarca no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, rumo à Terra do Tio Sam.
“Comecei a pesquisar sobre o assunto em 2013. Desde setembro do ano passado passei a mandar e-mails e vídeos para os treinadores de várias universidades. Em novembro fiz o Toefl, uma prova de proficiência em inglês exigida por todas universidades. Em dezembro fiz o SAT (uma espécie de Enem norte-americano), que todo atleta deve fazer para poder ser aceito. No final, recebi proposta de 90% da bolsa”, explica a adolescente, que estuda inglês há três anos.
Além dos costumes do novo país, Júlia terá de se adaptar ao futebol de campo. “Vou jogar no meio”, revela. No futsal, atuava como beque. Com a manhã reservada para os treinamentos, a vale-solense estudará Química no período da tarde. “Estou ansiosa por ser um desafio cheio de experiências novas. Acho que essa oportunidade é única na minha vida e vai me trazer grandes aprendizados, como morar sozinha em um outro país, ter que entrar em contato com uma cultura nova e, claro, viver uma rotina de treino em nível quase profissional”, ressalta Júlia, que vai residir no câmpus da universidade. “Minha família sabe que não vai ser fácil morar longe, mas me apoia, pois esse é o meu sonho”, completa a garota, que utilizará a internet como ferramenta para matar a saudade.
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A vale-solense fez questão de exaltar os dois anos em que defendeu o Santa Cruz. “Ter jogado lá me fez desenvolver muito minhas habilidades, adquirir experiências, ser conhecida em várias cidades da região, saber o que é união e fazer grandes amizades”, sublinha a atleta, que joga futsal desde os 5 anos de idade. Segundo a coordenadora do clube, Cláudia Regina da Silva, a ida de Júlia para os Estados Unidos servirá de inspiração à equipe. “É um exemplo a ser seguido pelas nossas outras meninas, pois valoriza o trabalho delas, que se dedicam duas vezes na semana, depois das aulas à noite. É preciso acreditar, se dedicar e ser disciplinada. Todas podem realizar sonhos, seja na área em que for: no esporte, na carreira profissional e pessoal”, salienta Cláudia, que também é atleta e recebe o auxílio do marido e treinador, Paulo da Rosa.
Jogadora espera mais apoio ao futsal
O futsal feminino ainda carece de apoio e reconhecimento no Brasil, segundo Júlia Kist. “Na região de Santa Catarina é um pouco mais forte, porém, no resto do País, as meninas são praticamente invisíveis. Mesmo sem a estrutura necessária, existem talentos de ouro no nosso futsal brasileiro. Faltam apenas visibilidade e suporte às meninas”, salientou. De acordo com Júlia, as atletas precisam ser incentivadas desde cedo. “Sabemos que na maioria das vezes são os meninos que estão envolvidos com o esporte, principalmente com o futebol. Além disso, é essencial ter um bom suporte para poder desenvolver a habilidade. Mesmo com talento, o treino é muito importante na formação do atleta”, enfatizou.
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