“Hoje, no Brasil, temos excelentes materiais em quadrinhos, com conteúdos seguros e instrutivos”, avalia Gil Kipper | Foto: Rodrigo Assmann
O evento “Um dia de magia e histórias no München”, que acontece neste sábado, 25, à tarde no München Open Mall & Residence, em Santa Cruz do Sul, abriga em simultâneo o lançamento de um volume de história em quadrinhos. É o livro Conflito na selva, do escritor, desenhista e editor Gil Kipper, da Zum, autor integrante da Academia de Letras de Santa Cruz do Sul. A sessão de autógragos será a partir das 16 horas.
Aos 70 anos, Gil Kipper é um dos mais conhecidos autores do gênero de quadrinhos no Estado. Como desenhista, roteirista e também editor, atua na área desde os 1980. E o volume que agora lança tem sua gênese justamente naquele período. Como recorda, ainda ao final daquela década ele elaborara as primeiras páginas do título que agora finalmente compartilha com os leitores.
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Na ocasião, iniciara o projeto sob demanda de uma editora de Porto Alegre, e, por fim, a edição não se concretizou. Só mais recentemente é que, retomando os originais, entusiasmou-se e decidiu concluir a obra, com um intervalo de quatro décadas, em traço clássico, em preto e branco. No enredo, Tito Pantaneiro, seu personagem, é um agente florestal que, auxiliado pelo indígena Nicaua, se vê enredado numa questão suspeita quando flagra um suposto caçador de onças em território de caça proibida. Exemplares estarão à venda ao valor de R$ 35,00.
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Gil Kipper – Na verdade, este livro que está sendo lançado, com o título Conflito na selva, é minha segunda publicação em quadrinhos depois de 40 anos. A edição anterior se chamava Zé Careta, onde mesclei tirinhas de humor, charges e uma aventura chamada Domínios de Zopar. A edição atual segue o mesmo tema de aventura, porém ambientado nas regiões pantaneiras e protagonizado pelos personagens Tito, um agente florestal, e seu amigo índio Nicaua. Na intenção de defender a fauna em regiões onde a caça não é autorizada, eles se veem envolvidos no combate ao tráfico de drogas, oportunidade na qual Tito se depara com uma tribo indígena e com a bela rainha branca chamada Janaína.
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Respondendo à pergunta, as histórias em quadrinhos nunca deixaram de ter seu valor cultural e artístico. Antes, eram publicadas em revistas dos mais diversos títulos e personagens, sucesso absoluto nos anos 60 e 70. E hoje são editadas como livros de extrema qualidade gráfica, com encadernações luxuosas e muito bem-aceitas pelo público leitor e colecionador de HQs.
Os gibis infantis sempre foram o primeiro atrativo de leitura para a formação e o entretenimento das crianças, o que vem sendo desviado para as “telinhas”. No Brasil, temos excelentes materiais em quadrinhos, com conteúdos seguros e instrutivos, além de ótimo entretenimento para o público iniciante, ou seja, nossas crianças. Cito em primeiro lugar os tradicionais gibis de Maurício de Sousa Produções, assim como em nossa região também temos ótimos produtores de HQ nesse segmento. Nada poderá substituir a “leitura” de uma boa produção de quadrinhos, principalmente com nossa identidade, o que evolui para o conhecimento, a admiração pelas artes e a formação cultural.
Meu primeiro trabalho com a temática ambientada no Pantanal foi nos anos 80, quando a Editora Sulina, de Porto Alegre, me sugeriu produzir dois livros de aventura e mistério para a coleção Misterinho, publicada no período. Foi quando criei o personagem Tito Pantaneiro, um jovem filho de fazendeiro que aprende e gosta da atividade de tropeiro, acompanhando os peões a conduzir as grandes manadas de gado por terras agrestes e alagadas. O primeiro volume chamou-se O filho do Pantanal e o segundo O estranho desafio do menino boiadeiro. Os livros foram escritos e ilustrados por mim, com forte influência das histórias em quadrinhos.
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Ainda estou programando uma turnê por Mato Grosso do Sul e regiões pantaneiras, sei que farei, mas não sei em que circunstância. A produção dos dois primeiros livros me levou a estudos e pesquisas com muita profundidade. Quem leu as duas primeiras obras percebeu essa autenticidade. Porém, nunca descartando o imaginário, que é o tempero de uma aventura de ação.
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