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Brasil e Japão definem estratégias para intensificar a relação comercial

Investimentos e parcerias em energia renovável, infraestrutura, transporte, áreas médicas e gás natural são considerados fundamentais para incrementar a relação comercial e melhorar o ambiente de negócios entre brasileiros e japoneses. Esses segmentos, entre outros, foram citados nesta segunda-feira, 31, pelos participantes da XVIII Reunião Conjunta do Comitê de Cooperação Econômica Brasil-Japão, realizada na Fiergs pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Federação Empresarial do Japão (Keidanren) e a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul.

Em sua manifestação na cerimônia de abertura do evento, que se realiza pela primeira vez no Estado e termina nesta terça-feira, 1º, o embaixador do país asiático no Brasil, Kunio Umeda, leu uma mensagem enviada pelo primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe. Nela, Abe destaca a necessidade de uma “parceria global e estratégica” com o Brasil. “O Japão e os países latino-americanos devem progredir e liderar juntos, dar as mãos, dividir sofrimentos e esforços, e compartilhar as alegrias”, diz o primeiro-ministro, que ainda lembra o fato de o Brasil ser a nação que abriga a maior comunidade nipônica – cerca de 1,5 milhão de pessoas – fora do território japonês.

O embaixador do Brasil no Japão, André Corrêa do Lago, enfatizou que sem o apoio do empresariado, “nenhum governo avança nas relações comerciais”. Citou a necessidade de aumentar a relação bilateral entre a “segunda economia desenvolvida do mundo com a segunda economia em desenvolvimento”. Para ele, Brasil e Japão são reconhecidos como líderes regionais, mas querem ser considerados como atores globais.

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O presidente da Fiergs, Heitor José Müller, observou que os problemas econômicos e políticos que o Brasil vive trazem desafios importantes para a nação. “Tenham a certeza de uma verdade que aprendemos ao longo da nossa trajetória: as dificuldades passam, os empreendedores ficam”, discursou.  “Em vez das dificuldades da distância geográfica, priorizamos a aproximação de interesses. Em vez das diferenças, buscamos pontos comuns. Em vez de concorrência, preferimos cooperação”.

Ao representar o presidente Robson Braga de Andrade, o vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria Paulo Tigre lembrou que na 17ª reunião do comitê, no ano passado, em Tóquio, a CNI e a Keidanren firmaram um acordo de cooperação com o objetivo de apresentar um relatório conjunto aos governos brasileiro e japonês para promover o comércio e os investimentos entre os países. “É com grande satistação que, após quase exato um ano, apresentamos nesta 18ª reunião o relatório ‘Brazil-Japan: Roadmap for an Economic Partnership Agreement’, resultado de nosso trabalho conjunto, que demonstra a visão comum dos setores privados brasileiro e japonês a respeito do lançamento de negociações para o alcance de um amplo acordo de parceria econômica entre nossos países”, informou. O Japão é o quinto destino das exportações brasileiras e o nono fornecedor de produtos para o Brasil.

O governador José Ivo Sartori ressaltou a necessidade de fortalecer a amizade e aproximar os mercados entre os dois países, e exaltou as virtudes do Rio Grande do Sul para a atração de novos negócios, especialmente nas áreas de mineração, agronegócio e concessões na área da infraestrutura. “Vamos deixar a distância para o mundo geográfico. O Japão nunca esteve tão perto”, disse.

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Murilo Ferreira, presidente do Comitê de Cooperação Econômica  Brasil-Japão, seção brasileira; Masami Ijima, presidente do Comitê de Cooperação Econômica Brasil-Japão, seção brasileira; e Daniel Godinho, secretário de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), também se manifestaram durante a abertura da reunião. “Queremos contribuir para a diminuição do Custo Brasil por meio de concessões”, ressaltou Ijima.

Durante o painel Perspectivas Econômicas do Brasil e do Japão, o diretor de Políticas Estratégicas da CNI, José Augusto Coelho Fernandes, observou que “momento de crise também é momento de transformação”, e que o ajuste das contas públicas do governo federal trará um efeito grande sobre os investimentos no Brasil. Além disso, observou, o País sairá da crise se incrementar as exportações, investir em infraestrutura, fizer as reformas regulatórias necessárias e conseguir avançar as agendas estruturais do País.

Relatório conjunto

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Durante a reunião Brasil-Japão, representantes das indústrias dos dois países entregaram aos respectivos governos uma proposta para que iniciem a negociação de um amplo acordo comercial. O documento, divulgado nesta segunda-feira, foi elaborado ao longo de 12 meses pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e sua contraparte japonesa, a Keidanren, e inclui um roteiro com sugestões dos principais temas para uma agenda de comércio e de investimentos entre os dois países. O estudo aponta tópicos essenciais, entre eles a eliminação de tarifas de importação, no período de 10 anos após sua eventual ratificação, para mais de 90% do fluxo bilateral de comércio, sem exclusão prévia produtos desse cronograma; regras de origem mais simples e transparentes; facilitação do comércio e dos procedimentos aduaneiros; revisão de assuntos regulatórios, que incluem medidas sanitárias e barreiras técnicas ao comércio; liberar o acesso a matéria prima e insumos naturais e de energia, é necessário – medidas de controle de exportação devem ser evitados no acordo bilateral.

Segundo dados incluídos na pesquisa, nos últimos 15 anos, as exportações do Brasil para o Japão cresceram 172%, enquanto as importações com origem no país asiático aumentaram 99%. Paralelamente à negociação para um eventual acordo comercial, foram apontadas medidas que podem ser implementadas de forma antecipada, como a revisão do acordo vigente relativo à bitributação – que é dos anos 70, liberação de vistos para viagens de até 90 dias de duração, acordo de céu aberto e cooperação bilateral para facilitação de comércio.  A ideia é estimular investimentos mútuos e tornar mais ágil a liberação de mercadorias nas aduanas dos países. Esse fator é visto por CNI e Keidanren como uma saída para ampliar o fluxo de comércio que, embora tenha crescido em 15 anos, está abaixo do potencial para ambos os países, que possuem economias complementares.

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