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Brasil, panorama desolador

Um dos maiores sofrimentos para um jornalista com mais de 45 anos de experiência – como eu – é o incurável vício de acompanhar o noticiário das 5h30 até a meia-noite. Sim, sou dependente de informação, com dificuldades para relaxar. Principalmente nos fins de semana, folgas e em eventuais férias.

O cenário nacional – política e economia em especial – é particularmente contraindicado por despertar sentimentos de impotência, revolta e desânimo. Protestar está cada vez mais perigoso. As condenações desmedidas, a partir de critérios questionáveis, espalham temor e causam insegurança jurídica nos mais diversos segmentos da vida brasileira.

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Escândalos envolvendo figurões da república raramente chocam e fazem corar até as estátuas de mármore, tamanha desfaçatez e mau-caratismo envolvidos. A mais alta instância do nosso poder judiciário ganhou ares de balcão de negócios. As denúncias envolvem figurões que integram o Supremo Tribunal Federal (STF). Mas é ainda pior quando constatamos que as mais recentes manchetes lamentáveis tratam da implicação de familiares dos ministros, o que torna ainda mais grave o que lemos e ouvimos nos noticiários.

Escândalos com políticos trazem pouca novidade, têm pouca repercussão junto ao eleitor e contribuinte. A mídia não hesita em difundir troca de favores através de emendas parlamentares e o uso de cargos, entre outros artifícios. Bater nos parlamentares é esporte nacional. Desta vez, no entanto, chegamos ao cúmulo de ver o Jornal Nacional, espaço nobre da televisão brasileira, desmentindo o todo-poderoso ministro Alexandre de Moraes.

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Conhecido como defensor dos poderosos de plantão, o Sistema Globo de Comunicação parece ter “largado a mão” do Supremo e de seus integrantes. Ocorre-me imaginar que, se o mais poderoso grupo de comunicação da América do Sul adotou essa postura, quão graves devem ser os acontecimentos que ainda não se tornaram públicos, mas que circulam pelos bastidores de Brasília.

Prefeitos, vereadores e deputados – estaduais e federais – são alvos frequentes e preferidos da imprensa. Cada passo, cada despesa, cada diária gasta, cada aquisição – com ou sem licitação – são examinados com lupa. Já os gastos recorde do cartão corporativo da presidência da República não passam de mensagens trocadas em grupo de WhatsApp integrados por “fascistas, conservadores e golpistas”.

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Na guerra da informação, pesos e medidas diferentes são usados como critério para definir o que é notícia. Boa parte desse julgamento se baseia nos gastos com publicidade”, um escárnio com quem a cada ano paga mais impostos. Em Brasília e no Palácio Piratini, o super marketing pessoal é obviamente omitido pela mídia que se locupleta do culto ao ego de nossos governantes.

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Gilberto Jasper

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