Jasper

Brasil, rico e generoso

É consagrada a expressão de que “empreender no Brasil é um exercício de masoquismo” – condição psicológica ou parafílica caracterizada pela obtenção de prazer, através da submissão, dor física ou humilhação moral. Derivado do escritor Leopold von Sacher-Masoch, o termo descreve a busca por prazer no sofrimento, muitas vezes em dupla com um parceiro sádico.

Perdi a conta da quantidade de amigos que cansados do cotidiano de bater ponto (coisa antiga, heim?), cumprir horários e aturar colegas hierarquicamente superiores, mas de inteligência menor, resolveram empreender. 

Muitos optaram por franquias, “modelo em que um empreendedor (franqueado) opera usando a marca, produtos e métodos de uma empresa consolidada (franqueador), mediante pagamento de taxas e suporte. Oferece maior segurança, pois o modelo é validado, mas limita a autonomia e exige seguir padrões rigorosos da rede”.

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Este tipo de negócio, para leigos como eu, parece mais cômodo. Afinal, o empreendedor representa uma marca – produto ou serviço – consagrado e, a partir disso, abre o próprio estabelecimento, “obedecendo a uma série de exigências. Devido às características, envolve taxa de franquia (inicial), royalties mensais e fundo de propaganda, entre outros investimentos”.

Outros corajosos empreendedores optam por investir em uma atividade na qual já tenham experiência. Essa, aliás, é uma dica de especialistas, conselheiros e “coachs” – modismo que, segundo reza a lenda, é composto de quem não obteve sucesso e resolveu “ensinar os outros”.

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Penso muito sobre empreendedorismo, uma experiência pra lá de arriscada. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a “mortalidade” é alta nos primeiros anos: menos de 40% das empresas, no Brasil, sobrevivem após cinco anos de operação. A carga tributária imposta aos corajosos empresários – sempre citados como “vilões” pelos oportunistas e míopes ideológicos – é crescente, injusta e desanimadora.

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O Brasil é um país que carece de estímulo concreto para gerar emprego. Temos 48 milhões de beneficiários do Bolsa-Família, contra 39 milhões de trabalhadores com carteira assinada. O programa sustenta 205 mil venezuelanos beneficiados, além de 25 mil bolivianos, 14 mil angolanos, 12 mil cubanos e 12 mil haitianos.

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Doze estados – todos das regiões Norte/Nordeste – têm mais beneficiários que trabalhadores formais. A Bahia é a campeã, com 2,46 milhões de bolsistas, contra 2,18 milhões de carteiras assinadas. Há anos ouço promessas de extinção da miséria, mas a permanência do mesmo grupo no comando do país mantém o Brasil nessa situação de clientelismo. 

Afinal, por que trabalhar se temos programas “sociais” generosos, que pouca ou nenhuma saída oferecem para ter carteira assinada?

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