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Bruna dos Passos: entre o volante, a lavoura e o salão

Aos 25 anos, Bruna dos Passos construiu uma trajetória marcada pela circulação entre diferentes formas de trabalho. Manicure, motorista, trabalhadora rural e Embaixatriz do Turismo de Vera Cruz, ela descreve a própria rotina como um exercício constante de adaptação. “Estou sempre me virando”, resume.

Criada no interior, em Candelária, Bruna cresceu em uma família de agricultores. O trabalho na fumicultura fez parte do cotidiano desde a adolescência, sempre conciliado com os estudos. “Fui criada na colônia. Os meus pais sempre plantaram e eu estava junto com eles”, conta. Na época, a família não contratava mão de obra externa, o que tornava sua participação necessária. “Éramos só nós três.”

A mudança para Ferraz, no interior de Vera Cruz, em 2020, marcou o início de outras frentes de trabalho. Foi ali que Bruna passou a atuar como manicure, inicialmente atendendo vizinhas e conhecidas. Sem carro na época, ela se deslocava de bicicleta até as clientes. Com o tempo, investiu em cursos e se especializou em esmaltação em gel. Hoje, divide o espaço de trabalho em um salão e também é maquiadora.

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Em paralelo, Bruna acumulou experiências fora do universo da estética. Uma delas foi como motorista de transporte escolar e ônibus, função que exerceu por cerca de seis meses. O incentivo veio de casa. O pai, motorista ao longo da vida, acompanhou o processo de aprendizado. “Meu pai só não dirigiu carreta”, revela.

Bruna descreve a vivência como desafiadora, especialmente nos primeiros dias, ao conduzir veículos grandes em trajetos estreitos. “Tinha lugares que eu pensava: ‘Meu Deus, como é que vou passar aqui?’”. O medo, segundo ela, fazia parte do processo. “O melhor motorista é aquele que dirige com medo porque está sempre atento.”

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O contato diário com as crianças foi um dos aspectos mais marcantes do período. “Era muito bacana porque havia uma troca de carinho muito grande.” Apesar de não estar dirigindo atualmente, Bruna não descarta voltar à atividade. “Tenho ideia de voltar, sim.”

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A experiência ao volante também teve impacto na forma como ela passou a se perceber. “Se eu sou capaz de dirigir um ‘trambolhão’ como esse, sou capaz de ir mais longe”, afirma. O trabalho rural nunca deixou de fazer parte da rotina. 

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Em períodos de safra, Bruna segue atuando na colheita de tabaco, geralmente entre outubro e dezembro. Em 2025, o pagamento girava em torno de R$ 300,00 por dia. “Começava às seis da manhã, quatro da tarde estava pronto.” Segundo ela, o esforço físico é compensado pelo retorno financeiro e pelo ambiente coletivo. “Estávamos sempre rindo e brincando.”

Para Bruna, o valor do trabalho não está no tipo de função exercida, e sim na forma como ela é realizada. “Em qualquer trabalho você está se esforçando, ganhando seu dinheiro, limpo. É digno.”

Em junho de 2025, Bruna foi eleita Embaixatriz do Turismo de Vera Cruz. Em novembro, participou do concurso estadual. Ela ficou entre as três finalistas. No entanto, destaca que o resultado não era o principal. “Independentemente de qualquer resultado, estou fazendo.” 

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Para Bruna, o concurso funcionou como uma vitrine e também como ponto de conexão com outras áreas da vida profissional, inclusive a parceria no salão onde trabalha atualmente. “O turismo é gente”, resume.

Durante o processo, Bruna visitou projetos, conversou com empreendedores e conheceu histórias que, admite, ajudaram a ampliar sua percepção sobre o setor. “As pessoas vão contando os seus sonhos.”  Fora do trabalho, ela menciona afinidades que ajudam a compor o retrato pessoal. É gremista e apaixonada por cachorros da raça Dachshund, comumente conhecidos como “linguicinhas”. Bruna convive com cinco. “Tenho a Cacau, o Tobi, a Pipoca, o Velho e o Geromel.”

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Ao falar de si, Bruna evita definições longas. Prefere resumir em uma característica que atravessa toda a bagagem que adquiriu até aqui. “Sou bem determinada. Corro atrás. Se precisar, vou fazer.”

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carolina.appel

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