Especialistas analisaram cenários e apontaram perspectivas, desafios e oportunidades em torno do cultivo da planta
O cultivo da cannabis entrou no debate agrícola no primeiro dia da Expoagro Afubra. Variedade de cannabis com baixo teor de THC e sem efeito psicoativo, o cânhamo industrial foi um dos destaques do painel Resiliência que gera futuro: a vitrine de possibilidades da cannabis para o agro e a inovação, realizado pela Fapergs, Inova RS e Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia, na tarde dessa terça-feira, 24.
A proposta foi apresentar o potencial da planta como alternativa produtiva, com aplicações que vão da indústria farmacêutica à produção de fibras, biocombustíveis e materiais industriais, além do uso medicinal.
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Apesar do interesse crescente, o cultivo ainda depende de avanços regulatórios no Brasil. Segundo a advogada e integrante da equipe jurídica da Associação EcoCannabis, Michele Martin, Regulações de Diretoria Colegiada (RDCs) foram emitidas pela Anvisa em janeiro deste ano, abrindo caminho para pesquisas e para a produção controlada.
O plantio em escala agrícola, no entanto, ainda exige organização do sistema e segurança jurídica. Segundo ela, as novas regras permitem que universidades pesquisem a planta e indústrias farmacêuticas produzam derivados com teor de THC limitado, o que representa um passo importante para que, no futuro, o cultivo chegue ao campo. “Esse passo é muito significativo, porque vai dar um respaldo para nós da agricultura familiar pensarmos em organizar esse ecossistema para a produção.”
Nesse cenário, a diversificação é apontada como um dos principais atrativos para regiões produtoras de pequenas propriedades, como o Vale do Rio Pardo. Segundo a advogada, o modelo ideal passa por um sistema integrado, semelhante ao que já ocorre com o tabaco, garantindo mercado, assistência técnica e compra da produção.
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Ela citou como exemplos os estados do Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e Mato Grosso, onde, neste ano, farão sistemas de cultivo de mais ou menos 20 hectares pensando na rotação de milho e soja. “É preciso organizar toda a cadeia, com indústria, pesquisa e produtor trabalhando juntos, para dar segurança econômica e jurídica ao agricultor”, destacou.
A presidente da Associação EcoCannabis, Michele Brescia, explicou que o debate ainda enfrenta resistência, mas tende a crescer à medida que o tema passe a ser tratado de forma técnica. Ela ressaltou que países como Estados Unidos, Canadá e Paraguai já utilizam o cânhamo como cultura agrícola estratégica, enquanto o Brasil começa a avançar na regulamentação. “Existe uma janela de oportunidade importante, especialmente para regiões com tradição na agricultura familiar. O desafio agora é superar o preconceito e estruturar o setor com responsabilidade”, afirmou.
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