No mesmo ano em que a Associação Pró-Cultura de Santa Cruz do Sul dava seus primeiros passos, também nascia Carolina Knies. As duas histórias, iniciadas em 1988, agora se potencializam. Hoje, ela é uma das principais personalidades em defesa da arte e da memória em Santa Cruz do Sul, enquanto presidente da entidade, mantenedora da Casa das Artes Regina Simonis.
O trabalho voluntário surgiu a partir de um amor pessoal. “Sempre tive bastante interesse, sempre gostei muito da parte artística, de frequentar ateliês livres, e participei do programa Uniarte da Universidade de Santa Cruz (Unisc). Sempre gostei de coisas manuais.”
Inspirada nessa paixão, ela escolheu a arquitetura como profissão. O curso foi uma forma de Carolina se aproximar ainda mais da área cultural. Lá, encontrou professores com o mesmo interesse e que gerenciavam entidades e organizações culturais de Santa Cruz. Um deles, o arquiteto Milton Roberto Keller, que na época estava à frente da associação, abriu portas para seu ingresso como integrante da diretoria.
Publicidade
LEIA TAMBÉM: A peça fundamental para fazer a roda girar de novo
“Comecei a participar ativamente da rotina e da gestão da Casa das Artes, que antes já conhecia e frequentava. Num primeiro momento, como uma espectadora. Depois, estando ao lado de quem realmente faz acontecer”, relembra.
Carolina aceitou a proposta e iniciou a atuação na gestão da Casa das Artes enquanto secretária entre os anos de 2021 e 2022. “Ainda estávamos naquela função da pandemia. Então, houve período de casa fechada, a programação estava meio restrita, às vezes tinha que ser com o público reduzido”, explica.
Publicidade
Em 2022, as restrições contra a Covid-19 foram diminuindo e a gestão intensificou as atividades. Carolina salienta que a manutenção da Casa cria um espaço aberto para que Santa Cruz do Sul esteja na rota de grandes artistas regionais e nacionais.
“Temos curadores de Porto Alegre que nos procuram porque querem ver seus trabalhos por aqui; outras associações de renome, outras prefeituras que querem saber de que forma podem nos usar como exemplo. Estamos nos tornando uma referência.”
LEIA TAMBÉM: Trajetória acadêmica consolida atuação de Andréia Valim na vice-reitoria da Unisc
Publicidade
A equipe diretiva também promove eventos como lançamentos de livros, workshops, sarau literário e apresentações da Orquestra da Unisc. Enquanto presidente da Associação Pró-Cultura, Carolina atua em todas as frentes, desde a captação de recursos até a organização de eventos. Uma das características principais para a liderança de um projeto como a associação é a proatividade. E isso Carolina tem de sobra. Como líder, está sempre pensando em novas formas de explorar e impulsionar a presença da entidade em Santa Cruz.
“Demorei muito tempo para me dar conta de que realmente estou fazendo a diferença. A associação está aparecendo, nos últimos anos está cada vez mais visível”, comemora.
Recentemente, Carolina comandou outros importantes trabalhos: a reforma da Galeria Riesch e a catalogação das obras de Regina Simonis.
Publicidade
Incentivadora da cultura, Carolina acredita que o trabalho da associação é essencial para que Santa Cruz siga crescendo nesse aspecto. “Santa Cruz realmente merece esse trabalho que fazemos, que é um legado. Olhando para trás, para as gestões em que estou na presidência, muito já foi realizado.”
LEIA TAMBÉM: Cláudia Silva: “Existir para transformar”
Ela também reforça a importância do investimento na área, muitas vezes desvalorizada pela população. “É importante investir na saúde, na educação, mas também na cultura porque ela alcança todas essas áreas. Acredito que ela é um setor que engloba todos esses outros, além de ser o nosso patrimônio.”
Publicidade
Além disso, Carolina enfatiza que o capital destinado à cultura circula e, muitas vezes, dá retorno financeiro de outras formas ao município. Para ela, a cultura deixa um legado que fica como herança, história e perpetuação da memória pela arte.
A Associação Pró-Cultura de Santa Cruz do Sul é uma entidade juridicamente constituída, formada por voluntários, que atua no município do Vale do Rio Pardo com o objetivo de promover eventos e atividades de cunho artístico.
Sua sede inicial foi o Centro de Cultura Jornalista Francisco Frantz, antiga Estação Férrea. A partir de 1993, a associação passou a ocupar o prédio do antigo Banco Pelotense, que desde 1994 abriga o museu Casa das Artes Regina Simonis, nome que homenageia a primeira mulher artista de Santa Cruz do Sul a receber o diploma de pintura, em 1933.
LEIA TAMBÉM: Beatriz Albers leva o sax a novos palcos e públicos
O local é de propriedade do governo do Estado e foi cedido através da Lei nº 10.154, de 1994. A associação tem o direito de utilizar o prédio para a promoção de seus objetivos; porém, tem o dever de realizar a manutenção e preservá-lo por meio de doações da comunidade e de editais de incentivo à cultura.
A associação também gerencia a Film Commission, agência público-privada que viabiliza e incentiva a produção audiovisual em Santa Cruz e na região. E ainda apoia, institucionalmente, o Festival Santa Cruz de Cinema. “Todos trabalham com o objetivo de fortalecer a rede. Todos querem ver os parceiros crescendo juntos, e acho que isso é bem visível”, explica Carolina sobre as entidades culturais do município.
Junto com Carolina, a atual gestão, que encerra o mandato no final de 2026, é composta por Lisiane Syperreck (primeira vice-presidente), Nelza Lau (segunda vice-presidente), Riele Kraether (primeira secretária), Henrique da Silva (segundo secretário), Regia Maria Eichenberg (primeira tesoureira) e José Hermes (segundo tesoureiro).
Hoje, a arte tem um novo significado na vida profissional de Carolina. No entanto, a apreciação de todas as manifestações culturais na vida pessoal segue como hábito desde a infância. “Cinema, música e teatro são áreas de que não me desvinculo, nem querendo. O tempo livre, de descontrair com meus amigos e meu namorado, Alex, também gira em torno da cultura”, explica.
LEIA TAMBÉM: Maria Belen Actis: das rochas à gestão de pessoas
Carolina conta que tem sorte de o seu círculo social também ser amante da arte. Da mesma forma, é muito familiar. Seus pais, Guenter e Ligia, e a avó, Ilse, moram perto de sua casa e estão muito presentes nas rotinas uns dos outros. “Tenho meus pais, um irmão que mora em Porto Alegre, o Gustavo, e a minha avó, com 97 anos. Acabo me envolvendo bastante com ela. Então, a minha rotina é bem familiar.”
Parceria no trabalho
Além do trabalho enquanto presidente, Carolina desempenha diariamente o ofício que escolheu para se profissionalizar. Formada em Arquitetura pela Universidade de Santa Cruz (Unisc), atua na produção de projetos com o namorado Alex Brino. “Fazemos projetos juntos, de interiores, expográficos. Desenvolvemos o projeto do Museu Semente, em Santana do Livramento, e algumas curadorias, o que também envolve bastante arquitetura.”
Em busca de conhecimento
Além da graduação, Carolina cursou mestrado da Uniritter em parceria com a Mackenzie focado em rearquitetura de prédios históricos. Também teve a experiência de administrar aulas para curso técnico de modelagem 3D e edificações. Depois do mestrado, começou a atuar como arquiteta, passando pela área comercial, de projetos imobiliários, entre outras.
Ainda foi em busca de uma pós-graduação em Práticas Curatoriais, pelo Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
LEIA TAMBÉM: Márcia Wink: reinado que o tempo não apaga
Arquitetura, uma paixão
Uma apaixonada pela arquitetura, Carolina acredita que seu vínculo com a arte está diretamente atrelado à profissão que escolheu. “Já me perguntaram se eu faria arquitetura novamente porque hoje, na Casa das Artes, no dia a dia, parece que não uso arquitetura.
Acho que estou aqui, hoje, também porque comecei lá na arquitetura, porque tive contatos e tenho uma cabeça de arquiteta”, avalia.
VEJA MAIS NOTÍCIAS DO CADERNO ELAS
QUER RECEBER NOTÍCIAS DE SANTA CRUZ DO SUL E REGIÃO NO SEU CELULAR? ENTRE NO NOSSO NOVO CANAL DO WHATSAPP CLICANDO AQUI 📲. AINDA NÃO É ASSINANTE GAZETA? CLIQUE AQUI E FAÇA AGORA!
This website uses cookies.