Categories: Cultura e Lazer

Casal conhece 16 países em 600 dias

Foram 600 dias e 16 países visitados. O santa-cruzense Francisco Rocha, o Chico, de 30 anos, e a namorada Carla Dall’Agnol Gois, 27, de Caxias do Sul, começaram em 18 de abril do ano passado uma aventura daquelas que todo mundo quer fazer, mas poucos têm coragem para realizar de fato. Largaram seus empregos – ele é engenheiro e ela, bacharel em Comércio Exterior – e saíram de Santa Cruz a bordo de um Land Rover Defender 110, ano 2001, para conhecer o mundo em dois anos. Houve imprevistos, mudanças no roteiro inicial e, por fim, o casal optou por conhecer a América em um ano e oito meses.

Para que o sonho virasse realidade, o casal vendeu seus pertences e juntou dinheiro. Chico e Carla elaboraram um roteiro que, nos primeiros 15 dias, cumpriram à risca. No plano inicial, visitariam as Américas, Europa, Ásia, África e Oceania, mas, para isso, a viagem não permitiria passeios não previstos. “Passamos a Argentina correndo para cumprir o cronograma. Quando estávamos cruzando a fronteira pro Chile, pensamos em tudo que a gente tinha deixado de aproveitar e nos perguntamos se estava valendo a pena tudo isso”, conta Chico. Então perceberam que não havia razão para cumprir o roteiro. Era melhor ouvir dicas dos nativos e, nas palavras de Chico, “deixar rolar”. “Acabamos fazendo só as Américas e acrescentamos Canadá e Alasca, que não estavam no plano inicial.”

Durante a viagem, conheceram muitas pessoas que optaram por fazer o mesmo que eles: sair da zona de conforto para se aventurar pelo mundo. Conversaram com viajantes das mais diferentes nacionalidades, mas, segundo eles, os argentinos eram maioria na estrada. “É engraçado que tu começa a ver que alguns países despontam como os principais na quantidade de viajantes, talvez por terem uma cultura voltada para isso.”

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Em uma expedição como essa, os viajantes enfrentam dificuldades. Manter um bom relacionamento é uma delas. O casal passou 24 horas por dia junto e precisou enfrentar situações estressantes, o que já não é fácil em circunstâncias habituais. “O carro era pequeno, com pouco espaço, e era bem complicado passar os dias ali. Houve vezes em que ficamos três, quatro dias em um lugar meio inóspito, chovendo, sem sair do carro e não conseguíamos nem ficar em pé.”

Estar em países diferentes pode ser perigoso, mas os dois passaram por poucos momentos em que se sentiram inseguros. “A gente acredita que teve muita sorte.” A única vez em que foram alvo de um ladrão foi na Colômbia. Acampados em uma praia paradisíaca do litoral colombiano, acordaram ao perceber que um homem estava levando duas cadeiras e um tapete ecológico que haviam recebido. “Mesmo assim, achamos que a praia era muito legal. A gente que tinha errado em deixar as coisas do lado de fora. Ficamos mais uma semana lá, aproveitando o lugar.”

O casal voltou ao Estado no começo de dezembro, com muita história para contar e vontade de repetir a dose. Com a sabedoria de quem conheceu cada cantinho do continente, os aventureiros já têm resposta na ponta da língua para a pergunta que todo mundo faz: o lugar que mais gostaram. “Não existe um lugar. Não tem como comparar. É impossível elencar.”

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AS RODOVIAS

Como viajaram por todo o continente de carro, Chico e Carla conheceram as estradas de 16 países. E foi decepcionante saber qual deles tem as piores condições rodoviárias: Brasil. “No Rio Grande do Sul, a gente paga pedágio e já está entrando em um buraco.” As rodovias dos EUA e Canadá foram as melhores pelas quais passaram. Segundo Chico, a América Latina tem estradas muito boas, exceto por alguns pontos, caso de Honduras. “E não estava esperando nada das estradas lá, mas são muito boas”, recorda. “Óbvio que se tu sair da rota principal vai pegar uns locais complicados, mas sempre vai ter uma estrada boa por perto.”


(Foto: Reprodução)

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Uma surpresa: Colômbia

No fim de 2016, Chico e Carla chegaram na Colômbia. Com um visto de três meses, não pensavam em permanecer tanto tempo. Eles lembravam do que haviam aprendido e visto nos noticiários sobre a violência no país, muito por conta das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Porém, quando chegaram, se surpreenderam.

“A gente tinha aquela visão de violência, que é um país que a gente deveria evitar”, conta ele. No fim, decidiram ficar lá por três meses, especialmente pela hospitalidade do povo. “Eles queriam saber o que a gente estava fazendo, até porque o nosso carro chamava atenção. Nos convidavam pra ir nas casas, mesmo sem nos conhecer”, relembra.

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Os viajantes chegaram à Colômbia logo depois que houve a tragédia com o avião da Chapecoense, no dia 29 de novembro de 2016. “Nos perguntavam tudo sobre o time, queriam saber mais.” Em Medellín, onde caiu a aeronave, chamou atenção a falta de interesse dos moradores em falar sobre o principal personagem da cidade: Pablo Escobar. “Essa questão do narcotráfico eles tentam esquecer. Não fazem propaganda sobre Escobar, por exemplo. A gente assiste Narcos e quer ver essas coisas lá, mas eles não fazem questão nenhuma de mostrar.”

Canadá, um desvio na rota

Conhecer o Canadá não estava no roteiro do casal. Como no plano inicial chegariam ao país no inverno, resolveram deixar de fora. “Fica intransitável. É muito frio, muita neve e o carro não estava preparado para um frio tão intenso”, conta Chico. No entanto, em viagens como essa, desvios de rota são permitidos – e mais que bem-vindos. Assim, resolveram fazer o visto para conhecer as terras canadenses quando se encontravam nos Estados Unidos, motivados pela proximidade. E acertaram na escolha. “O país é muito natural, muito selvagem. Tem muitas paisagens lindas, lagos maravilhosos, o povo é bacana. A gente pensa que é uma cópia dos Estados Unidos, mas não tem nada a ver. É um país muito diferente.”

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Próxima parada

Já que o plano inicial não foi cumprido, os dois devem voltar à estrada em breve. “A vontade de conhecer o mundo não morreu.” Eles estão planejando os próximos passos, mas  não revelam quais serão as aventuras pela frente. “Novidades virão”, desconversam.

TOP 5

Pedimos ao Chico e à Carla que fizessem uma lista dos cinco passeios que mais gostaram e o que recomendam. De acordo com eles, “foi quase impossível escolher”, mas conseguiram e nos deram cinco indicações. Eles já avisam que a lista não está em ordem de preferência.

Salar de Uyuni – Bolívia
“É um salar. Tem uma camada de metros e metros de puro sal. São quilômetros a perder de vista. É uma paisagem que não existe igual no planeta. Tu olha no horizonte, tu não enxerga nada. Dependendo da época do ano, reflete o céu e parece que tu estás andando nas nuvens.”

Bocas del Toro Panama
“É uma ilha com praias típicas do Caribe. Tem estrelas-do-mar que eu nunca tinha visto em lugar nenhum. Única palavra pra descrever é ‘paraíso’.”

Laguna Llanganuco – Peru
“Fica na Cordilheira Branca, no norte do Peru. Tem uma coloração esmeralda, verde. Fica entre duas montanhas, como se estivesse guardada. É muito lindo.”

Canyonlands – Utah, Estados Unidos
“São cânions, como se fosse o Grand Canyon, mas nos chamou mais atenção. É um parque nacional. Tu fica em uma parte mais elevada, olha pro horizonte e vê aquela vastidão de erosão na tua frente. Dá uma sensação diferente. Tu imagina que está na lua.”

Banff – Canadá
“Também é um parque nacional e é muito completo. Tem lagos, montanhas nevadas, opções de trekking, escaladas, paisagem exuberante.“


(Foto: Reprodução)

Quer se aventurar?

Pra quem tem vontade de “cair na estrada” também, a dica de Chico e Carla é criar coragem, programar-se e começar a aventura.  “Foi a melhor coisa do mundo para mim, pra outra pessoa pode não ser”, alerta Chico. Afirmam que não é fácil e que é preciso  se planejar antes. Para começar, os aspirantes a aventureiros devem colocar tudo na ponta do lápis: definir qual o orçamento ou como pretendem ganhar dinheiro durante a viagem. “Muita gente olha pra nós e diz que isso não condiz com a realidade brasileira, mas não tem nada a ver. Quem quer vende um artesanato, um doce.  As pessoas gostam e compram pra te ajudar. Todo mundo pode. Só precisa pensar o que é necessário pra viver.” O casal também frisa que é importante estar psicologicamente preparado. 

Quer saber mais? Acesse a página Vou te Levar no Facebook e confira mais informações sobre a viagem.

Viagem em números

♦ 16 países visitados
♦ 600 dias na estrada
♦ R$ 110,08 A média de gastos por dia pelo casal (comida, combustível, seguros, transportes, envio do carro por contêiner)

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