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Casos de doença rara e paralisante se espalham pelo Nordeste

Devagar no passo, o motorista Benedito Cardoso, 47, já voltou a caminhar pelas ruas de Valença, cidade do litoral sul da Bahia. Com esforço, vai de casa até a padaria. Uma vitória para quem entre abril e maio deste ano passou 20 dias internado sem andar nem falar, com o corpo completamente paralisado.

Benedito foi um dos 50 casos confirmados da síndrome Guillain-Barré na Bahia em 2015 -doença que costuma ser rara, com média de um caso a cada 100 mil habitantes, mas cujas notificações espalharam-se por parte do Nordeste neste primeiro semestre. Além das notificações confirmadas na Bahia, foram constatados 14 casos no Maranhão e seis na Paraíba.

O avanço da doença tem sido associado a casos de dengue, chikungunya e de uma doença exantemática (com lesões na pele) que em alguns casos foi identificada como zika vírus. Dos 50 pacientes que tiveram a doença confirmada na Bahia, 48 tinham histórico recente de suspeita de zika vírus.

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“Pelo que temos acompanhado, as pessoas que tiveram a síndrome tiveram doenças virais num curto espaço de tempo”, explica o médico infectologista Roberto Badaró, subsecretário de Saúde da Bahia. Contudo, segundo o Ministério da Saúde, ainda não há nenhuma comprovação científica da relação entre a síndrome Guillain-Barré e as três doenças que têm como vetor o mosquito Aedes aegypti. Só na Bahia, foram registrados 45 mil casos suspeitos de dengue, 32 mil de zika vírus e 8.000 de chikungunya. Segundo Badaró, o quadro é de “tríplice epidemia”.

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