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Celebrar ou resistir?

A publicação do meu texto coincide com uma data significativa neste fim de semana: o 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Mais do que uma celebração simbólica, a data nasceu da resistência, a partir das reivindicações de mulheres por melhores condições de trabalho, direitos políticos e igualdade social no fim do século XIX e início do século XX. Nos Estados Unidos, trabalhadoras organizaram manifestações exigindo a redução da jornada exaustiva, melhores salários e o direito ao voto. 

A proposta de um dia internacional dedicado às mulheres foi apresentada em 1910 pela ativista alemã Clara Zetkin, durante uma conferência de mulheres socialistas na Dinamarca. A ideia foi aprovada por cem mulheres de diversos países, consolidando o movimento. Ainda, um dos marcos para fixação do 8 de março ocorreu após a manifestação de mulheres russas, em 1917, que foram às ruas pedir “pão e paz”, em meio à fome e à guerra. Décadas depois, em 1975, a Organização das Nações Unidas (ONU) oficializou a data, reconhecendo sua importância histórica e política.

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Desde então, mesmo em um cenário marcado por preconceitos e desigualdades persistentes, as mulheres conquistaram avanços significativos. Entre elas a ampliação da participação política, a partir da garantia do voto em diversos países e a presença feminina em cargos de liderança. No campo trabalhista, houve avanços na legislação e no reconhecimento de direitos. O acesso à educação também se expandiu, proporcionando autonomia e oportunidades para milhões de mulheres ao redor do mundo. 

Cada uma dessas conquistas merece ser aplaudida, pois representa o resultado de mobilização, resistência e persistência. São degraus importantes em uma longa escada construída ao longo de diferentes gerações de mulheres. No entanto, ao mesmo tempo em que celebramos avanços, é impossível ignorar o cenário sombrio, e muitas vezes invisível, que ainda marca a realidade de ser mulher no Brasil.

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Somente neste ano, o Rio Grande do Sul já soma 20 feminicídios. Em pouco mais de dois meses, duas dezenas de mulheres tiveram suas vidas interrompidas, em sua maioria, por atuais ou ex-companheiros. Enquanto no dia 8 de março destacamos conquistas históricas, ainda precisamos contar vítimas. Também não podemos ignorar as piadas de mau gosto, as frases e os gestos que insistem em nos diminuir pelo simples fato de sermos mulheres. Existirá um dia em que poderemos sair de casa sem receio de sermos assediadas ou atacadas? São muitas perguntas, e as respostas ainda tardam a chegar.

Só haverá um futuro verdadeiramente digno, com novas conquistas e avanços, se houver a promoção de ações efetivas de proteção, prevenção e enfrentamento à violência. O 8 de março não deve ser apenas uma data de celebração, mas também de comprometimento. Comprometimento com as mulheres a partir de políticas públicas realmente eficazes e educação para uma sociedade mais igualitária. Até lá, o pedido continua urgente: parem de nos perseguir e matar.

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Karoline Rosa

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