Regional

Cinturão, meia-lua verde pulsante

Há pouco mais de três anos publicamos o artigo “Cinturão, meia-lua verde minguante” (jornal Gazeta do Sul, 02/01/2023). Na oportunidade, sem desprezar o que já se fizera em favor de sua preservação, apontamos para os aspectos degradatórios pelos quais passava o Cinturão Verde. À época, salientamos que nossa própria forma de olhar para o Cinturão ia nos acostumando às intervenções, passando a sensação de que era “assim mesmo”.

Frente à situação, erguemos a pergunta: e se mudarmos nossa forma de “ver” o Cinturão Verde? Ao invés de percebê-lo como algo externo a nós, quem sabe, pudéssemos inverter a ocular e nos entender a partir dele, até porque somos nós e nossa cidade que pressionamos o Cinturão Verde. A conversão de nosso olhar nos posicionaria como integrando o Cinturão, no sentido de que ao ser agredido nós o somos, ao ser descontinuado nós é que nos fragmentamos, ao sofrer nós padecemos e ao minguar nós é que diminuímos. Todavia, à reversão sensível havia que se atuar proativamente.

Assim, foi instalado o Movimento pelo Cinturão Verde e criado o Conselho de Gestão Socioambiental. Do empenho coletivo, foram originados, entre outros, produtos como a Cartilha do Cinturão Verde, a Carta dos 30 anos da demarcação, o Estado da Arte e o Acervo Digital que inclui diversos documentos como o Mapa Integratório. Ainda, a ressaltar, a ativa contribuição ao Programa Sistêmico Municipal de Preservação Ambiental (PPGTA-UniscC) e à elaboração da minuta da Tabela de Isenção Progressiva do “IPTU Cinturão Verde” em reconhecimento aos proprietários preservacionistas, pois assim o fazem em relevante benefício coletivo.

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Ao realizado e ao que está em andamento, se faz notório o crescente grau de sensibilização protetiva ao Cinturão Verde que ilumina os amanheceres de nossos dias. Todavia, se visíveis os ganhos em curso e promissora nossa forma de nos entender integrados ao Cinturão Verde, não há como desconhecer que os clarões do alvorecer seguem revelando os alarmantes vazios em nossas encostas que bordejam, em formato de meia lua, a Serra Geral. Clarões que falam de nós mesmos.

Estamos a caminho. Esse feito de interativas transversalidades: com as bacias hidrográficas, os biomas e ecossistemas, a proposta do “Geoparque Triássico Vale do Rio Pardo”, o Túnel Verde, as instituições públicas e privadas, o Conselho Municipal do Meio Ambiente, o Executivo e Legislativo, o Ministério Público, o sistema educacional, os meios de comunicação, as pessoas e a comunidade. Lembremos que em torno de 80% do território do Cinturão Verde se constitui em propriedade privada, o que configura um diferenciado mosaico fundiário, condição expressa em mapas disponíveis no acervo digital https://linktr.ee/cinturãoverde.

Assim, no empenho de muitas mãos e mentes, trilhamos a senda que procura substituir o termo “minguante” do artigo de três anos atrás para a proatividade “pulsante” para que, em breves tempos, possamos pronunciar as palavras “resolutivas soluções.”

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Cumprimentos aos que fazem sua esta caminhada. Aos que ainda não se puseram a caminho permanece o convite esperançoso, pois todos são bem-vindos ao futuro que pulsa ao luar do amanhecer de dias oxigenantes, especialmente em tempos de extremadas relações internacionais e profundas mudanças climáticas, o que nos impulsiona para a geopsicologia, em transformadora relação socioambiental. Precisamos falar sobre isso, até porque o que acontecer ao Cinturão Verde e suas interações estará ocorrendo conosco. Somos feitos do mesmo tecido geobiodiverso.

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carolina.appel

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