Saúde e Bem-estar

Com sete registros, Santa Cruz lidera casos confirmados de dengue no RS em 2026

O Rio Grande do Sul registrou, nas primeiras semanas de 2026, 31 casos de dengue. A maioria são mulheres (16, ou 56%), de 20 a 39 anos. Há 811 casos suspeitos em investigação, sendo que 330 foram descartados, conforme o painel da Secretaria Estadual da Saúde, atualizado nessa quinta-feira, 22.

Até o momento, 20 municípios gaúchos registraram contaminações, e aquele com maior número de registros é Santa Cruz do Sul. Foram sete confirmações, 22,5% do total no Rio Grande do Sul.

A maioria dos pacientes são mulheres (quatro, ou 57%), de 30 a 39 anos. O município registrou 67 casos em investigação, dos quais 32 foram descartados. Com isso, a área de abrangência da 13ª Coordenadoria Regional de Saúde (13ª CRS) totaliza dez casos, incluindo um em Rio Pardo, um em Mato Leitão e um em Vera Cruz. Não há registros de hospitalizações no momento.

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Atualmente, Santa Cruz tem o dobro de ocorrências de Novo Hamburgo – segundo colocado entre os municípios gaúchos com casos confirmados – e Canoas, que aparece em terceiro. Cada um apresentou três. 

Santa Cruz encerrou 2025 com 300 casos confirmados. Nenhum óbito foi registrado no ano passado. Já na área da 13ª CRS, que abrange 13 municípios, foram 724. Candelária teve o maior número de casos – 321. 

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Já o Rio Grande do Sul encerrou o ano com 44.198 confirmações e 52 morte. Porto Alegre apresentou o maior número (14 mil), além de 25 óbitos.

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Instabilidade climática favorece proliferação

Conforme Beanir Lara, enfermeira analista em saúde que integra a vigilância epidemiológica da 13ª CRS, o período de instabilidade climática na região há alguns dias contribui para a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue. Com as chuvas, o acúmulo de água parada resulta no maior número de focos e o calor intenso favorece a reprodução do mosquito.

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A especialista explicou que embora os indicativos do Ministério da Saúde apontassem para um número expressivo de casos diante da possibilidade de antecipação da sazonalidade – período em que há aumento de contaminações –, a quantidade de confirmações no início não é alta. “Temos registrado muitas notificações em todo o Estado, mas não há confirmações”, afirmou.

Beanir acrescentou que as equipes de vigilância dos municípios da área da 13ª CRS estão orientadas a monitorar os casos suspeitos que apresentem sintomas da dengue e realizar a notificação para que seja feita a investigação.

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Conforme a especialista, a preocupação é quanto aos casos com sorotipos diferentes da dengue, para os quais não há imunidade. Na região, são encontrados os mais comuns. Diante disso, Beanir alerta para que a população esteja atenta aos cuidados nas residências e quintais, evitando água parada para a reprodução de mais mosquitos. “Não é momento para relaxar e descuidar.”

Atualizações

O Centro Estadual de Vigilância em Saúde informou, em nota, que o Painal da Dengue RS está funcionando perfeitamente, sendo atualizado todos os dias úteis.

Atenção para a identificação precoce

Em nota, o setor de Endemias e da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde ressaltou que os registros de confirmações, de acordo com os critérios do próprio sistema, indicam situação de normalidade. Entretanto, chamou a atenção do órgão público o fato de o município apresentar o maior número de casos, enquanto aqueles com maior porte populacional, como Caxias do Sul, Canoas e Santa Maria, têm menor quantidade de notificações e de confirmações. 

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“Esse cenário pode estar relacionado a diferenças nos fluxos, atrasos ou inconsistências na atualização dos dados por parte dos municípios, considerando o quantitativo de anos anteriores dos mesmos, o que reforça a necessidade de que essas informações sejam analisadas com cautela e dentro de seu devido contexto epidemiológico”, consta na nota.

Contudo, a rede municipal de saúde reforçou que está atenta, sensível e preparada para a identificação precoce de casos suspeitos e, consequentemente, de confirmados, refletindo em uma vigilância epidemiológica ativa. 

Os responsáveis pela nota destacaram que o aumento no número de notificações não representa, necessariamente, maior transmissão da doença. Segundo eles, trata-se de maior sensibilidade da rede assistencial, assim como melhor percepção de risco por parte dos profissionais de saúde e da população, além de resposta oportuna do sistema de vigilância.

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Além disso, evidenciaram que o município não apresenta transmissão sustentada por bairro. Tal condição, conforme definição epidemiológica adotada pelo Ministério da Saúde, caracteriza-se pela ocorrência de casos autóctones em três ou mais semanas epidemiológicas consecutivas, em uma mesma área, sem vínculo com casos importados.

Esse cenário, segundo o documento, é resultado direto de ações contínuas de campo, que vão de bloqueios de transmissão realizados de forma imediata após as notificações e atuação permanente em pontos estratégicos. Inclui ainda a eliminação de criadouros, o monitoramento sistemático das áreas mais vulneráveis, além da instalação de armadilhas (ovitrampas) e da aplicação de BRI em prédios públicos. A nota menciona ainda as ações educativas permanentes junto à comunidade, consideradas fundamentais para o controle da transmissão vertical do vírus.

Os responsáveis ressaltaram ainda que Santa Cruz encerrou 2025 sem mortes pela doença. Segundo a nota, isso demonstra que a rede municipal de saúde está organizada, capacitada e apta para o manejo adequado dos casos, desde os quadros leves até as formas mais graves da doença. 

Entretanto, apesar dos resultados, destacou que o enfrentamento depende da participação ativa de toda a população. O que inclui a eliminação de recipientes com água parada, cuidado com os ambientes domiciliares e permissão de acessos às equipes de saúde. 

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Julian Kober

É jornalista de geral e atua na profissão há dez anos. Possui bacharel em jornalismo (Unisinos) e trabalhou em grupos de comunicação de diversas cidades do Rio Grande do Sul.

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Julian Kober

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