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Confronto entre PMs e manifestantes no PR deixa 170 feridos

ATUALIZADO ÀS 7H40 DE QUINTA-FEIRA

Confronto entre PMs e servidores estaduais do Paraná em frente à Assembleia Legislativa do Estado deixou ao menos 170 pessoas feridas – 35 delas hospitalizadas – na tarde desta quarta,feira, 29. A confusão se acirrou em meio à votação na Casa, a portas fechadas, do projeto do governo Beto Richa (PSDB) que modifica a previdência dos funcionários públicos.

Foram ao menos duas horas de violência, que começou quando manifestantes tentaram romper o cerco da Polícia Militar na Assembleia. A corporação usou bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e jatos de água. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, manifestantes usaram paus e pedras – 20 dos feridos são policiais, informou a pasta. Seis pessoas foram presas. Parte delas eram black-blocks, sempre conforme a pasta, informação que os sindicatos dos servidores negaram.

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Os manifestantes – 15 mil, segundo os sindicatos (a PM não estimou) – queriam entrar na Assembleia para pressionar os deputados contra o projeto. Desde o início desta semana, a Assembleia foi cercada por PMs a pedido de Richa. Uma ordem judicial garantia a votação sem a presença de manifestantes. O governo quis evitar a repetição das cenas de fevereiro, quando grupos invadiram a Casa contra o ajuste fiscal proposto por Richa, que incluía o projeto de previdência.

Nesta quarta, os manifestantes – servidores, professores e estudantes – receberam reforço de caravanas de ônibus do interior do Estado. O prédio da Prefeitura de Curitiba, que fica em frente à Assembleia, foi transformado em uma espécie de enfermaria para os feridos. Casos mais graves eram levados para hospitais. No tumulto, muitos se refugiaram na prefeitura. O saguão principal ficou lotado de pessoas ensanguentadas. Funcionários distribuíam água e tentavam acalmar os manifestantes.

Crianças de uma creche que fica ao lado da Assembleia também passaram mal com o gás usado pela polícia. O Ministério Público instaurou uma investigação para apurar “eventuais excessos” da PM. Em nota, a OAB repudiou os ataques. Já o governo tucano, também em nota, informou que “lamenta profundamente” os atos de confronto e acusa “o radicalismo e a irracionalidade de pessoas mascaradas”.

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SESSÃO

A sessão na Assembleia chegou a ser interrompida por cerca de dez minutos por causa do gás que atingiu o plenário. Foi retomada, mesmo com o barulho de bombas e gritos do lado de fora. Com medo de que o prédio fosse invadido, a gestão Richa mobilizou quase 2 mil policiais para a operação, segundo apurou a reportagem.

Nas ações, a reportagem ouviu as ordens dadas por um dos comandantes da PM: “Se precisar usar a tonfa [cassetete], é por baixo. Nada de sair girando por cima”. Do lado de fora, manifestantes carregam cartazes e gritam “retira, retira” e “eu estou na luta”. Já à noite, eles reconheciam a derrota.

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O projeto, que diminui a contribuição do governo para as pensões, alivia o caixa do governo em R$ 1,7 bilhão ao ano, de acordo com o governo, em crise financeira desde 2014.

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