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Conheça Aíscha Garcia, a princesa tatuada da Oktoberfest

Bela, loira, alta e… tatuada; roqueira, alternativa, DJ e… princesa da Oktoberfest! Não existem dúvidas de que a jovem Aíscha Garcia Schlittler, de 21 anos, está quebrando paradigmas em Santa Cruz do Sul.

Seu estilo único, representando a tradicional festa do município, pegou muitos de surpresa. Mas a aceitação do seu jeito moderno de ser e pensar surpreendeu. E, como proposto na campanha para ser uma das soberanas da Oktober, Aíscha está representando a nova Santa Cruz, uma cidade que deixou para trás os preconceitos do passado e olha para a frente, ligada nas tendências dos principais centros do mundo.

A garota que hoje tem tatuagens até nos dedos das mãos começou neste mundo como a maioria dos jovens. Uma adolescente rebelde lutando contra a mãe por algo que, hoje, não a representa mais. “Meu pai, na época, já era falecido. Ele, eu sei que não deixaria de jeito nenhum. Mas, depois de muita insistência, convenci minha mãe e tatuei duas libélulas nas costas”, relembra. Os insetos, conta Aíscha, vão ser cobertos nos próximos meses por outra imagem.

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A segunda marca foi aos 16 anos, no seu braço esquerdo. “Essa vai ser a próxima a ser coberta, também por não me representar mais”, diverte-se a princesa. Depois, voltou a tatuar com 18, bem mais decidida do que queria eternizar. “A primeira grande, já em uma nova fase da minha vida, foi de alguns álbuns do Pink Floyd. Era uma espécie de homenagem ao meu pai, que certamente não gostaria que eu me tatuasse, mas era um grande fã da banda.” Para fazer esta, já com o tatuador Maiquel Moraes, ela conta ter planejado por meio ano com o artista.


Algumas das tatuagens que cobrem os braços de Aíscha
Fotos: Lula Helfer

A partir daí, o gosto pela coisa cresceu. Logo ela havia coberto todo o braço direito com diferentes imagens que representavam sentimentos dela. “São coisas que eu curto, sejam filmes, poesias ou músicas. Eu tenho dificuldade de me expressar e, a partir das tatuagens, consigo eternizar certos sentimentos.” Mas o principal motivo vem de um medo. O medo de esquecer. “Já faz sete anos que meu pai morreu. Eu sentia muito medo de um dia esquecê-lo. E, com os álbuns de sua banda preferida no braço, sei que ele estará comigo para sempre.”

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NA REALEZA

Enquanto as tatuagens iam se espalhando nos braços de Aíscha, ela, aos poucos, se aproximava da Oktoberfest. Durante três anos, já atuando como modelo, a jovem trabalhou na organização de eventos e desfiles da festa germânica. Mesmo assim, nunca tinha sonhado em um dia estar no trio de soberanas. “Eu fiz até os bonecos Fritz e Frida uma época. E foi por aí que essa ideia nasceu, por sentir o carinho das pessoas com os símbolos da festa.”

A vontade cresceu ainda mais a partir do desafio que ela iria enfrentar. Aíscha conta sempre ter visto meninas dizendo que não poderiam concorrer por não se encaixarem nos padrões. A intenção dela foi, portanto, mostrar que qualquer uma pode ser soberana da festa. “Padrões são terríveis, eu acho que cada um tem sua beleza. Não precisa ser loira, ter olhos azuis ou mesmo ser branca. Qualquer uma pode concorrer. Minha maior felicidade seria passar a faixa no ano que vem para uma negra.”

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E isso vem ao encontro daquela ideia, mencionada lá no início, da nova Santa Cruz. Para Aíscha, essa é uma ideia que está crescendo, evoluindo e, aos poucos, passando a existir na cidade. “Ainda vivemos em um lugar muito fechado, cheio de preconceitos. Eu ouvi muita coisa desde que iniciei essa caminhada para ser soberana. Mas espero que, daqui pra frente, só melhore. Temos que vencer os preconceitos e evoluir como sociedade.”

Sobre as tattoos, a intenção é não parar por enquanto. Depois de ter fechado o braço direito, ela vai fechar o esquerdo e seguir para as costas. Já sobre a mãe de Aíscha, que protestou contra sua primeira tatuagem… bem, a situação nesse caso não melhorou muito. Mas ela acredita que uma hora vá acostumar.

PARCERIA

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Aíscha conheceu Maiquel a partir do namorado. A amizade foi instantânea e, ao descobrir que ele era um dos principais tatuadores da cidade, os planos começaram. Para o artista, é incrível colaborar com uma pessoa tão especial como ela. “O conceito de moda sempre se renova. Acho um grande avanço ter uma princesa tatuada na cidade, principalmente por ser uma quebra de paradigmas. Pode ser um começo. Quem sabe, no futuro, tenhamos até uma rainha transexual.” 

Para ele, Aíscha é a pessoa certa para esse processo de mudança, por ser bonita, ter atitude e representar bem o município. “As tatuagens são apenas a moldura para a bela tela que ela é.”

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