Filmado em Santa Cruz, Vera Cruz e Rio Pardo, explora a ressignificação do luto
Santa Cruz do Sul volta a mostrar o seu talento no audiovisual ao marcar presença no 54º Festival de Cinema de Gramado, que ocorrerá entre 12 e 22 de agosto. Claudete, curta-metragem escrito e dirigido pela cineasta Gabriela Kopp, está entre as 18 produções selecionadas para o tradicional Prêmio Assembleia Legislativa, que exibe obras gaúchas competindo em 12 categorias. A exibição dos filmes ocorrerá nos dias 15 e 16 de agosto, às 13 horas, no Palácio dos Festivais. Os vencedores serão revelados no dia 16, a partir das 20 horas.
A cineasta, que tem oito anos de experiência no cinema, afirma que a presença de Santa Cruz no maior festival brasileiro destaca o talento dos profissionais do município, que trabalham para mostrar que cinema não se faz apenas nas grandes capitais, mas também no interior. “Descentralizar o audiovisual gaúcho e brasileiro aumenta a riqueza cultural das obras, além de movimentar a economia regional, gerando emprego e renda para toda comunidade”, salienta Gabriela, que está à frente da Madalena Filmes, dedicada a projetos independentes que valorizam o protagonismo feminino no audiovisual.
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Filmado em Santa Cruz, Vera Cruz e Rio Pardo, e ainda em Laguna, em Santa Catarina, o curta Claudete narra a história de de uma personagem chamada Gabriela, que busca vestígios de sua falecida mãe. Para isso, ela revisita memórias afetivas e lugares que guardam o rastro de sua ausência. Sob o olhar atento da Morte, a filha acolhe uma jornada de perda para ressignificar o vínculo com a vida.
Trata-se do primeiro filme da cineasta, o que representa um enorme desafio na sua carreira, marcada pela atuação no cargo de assistente de direção. Agora, ela não apenas escreveu o roteiro, como também assumiu a direção. “Me preparei muito para isso e venho ganhando cada vez mais experiência. Quero continuar fazendo filmes.”
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Contemplada pela Lei Paulo Gustavo em 2024, a obra foi concluída no início do ano, pouco antes de ser inscrita no Festival de Gramado. “Achei que não seria selecionada. Foi uma surpresa enorme. Quando descobri que havia sido, fiquei muito feliz e emocionada. Mas ao mesmo tempo apreensiva, porque agora esse filme tão pessoal, que ficou tanto tempo na minha cabeça, está começando a chegar às pessoas. Isso é um pouco assustador”, comenta Gabriela.
Claudete nasceu da necessidade de Gabriela Kopp elaborar o próprio luto pela morte da mãe, que dá nome ao curta-metragem. Mais do que um projeto cinematográfico, a obra tornou-se o processo de ressignificação de uma perda que a acompanhou durante anos e encontrou no audiovisual uma forma de expressão.
Além dos compromissos profissionais com a equipe, a diretora explica que revisitar lembranças tão íntimas tornou a produção emocionalmente desafiadora. Ao longo das filmagens, ela buscou transformar em imagens os sentimentos que, até então, não conseguia traduzir em palavras.
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Foi durante esse percurso que a diretora passou a enxergar o audiovisual como uma ferramenta para compreender a própria experiência. “Sabia que precisava processar meu luto e falar sobre isso de alguma forma. Foi no cinema que encontrei uma maneira de dar sentido a tantas coisas que eu estava sentindo durante tantos anos”, relata.
A cineasta destaca que o objetivo nunca foi apresentar uma resposta sobre como enfrentar a dor da perda. “O filme é mais um convite à reflexão e mostra que cada pessoa encontra o seu próprio caminho”, afirma.
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Prestes a estrear no Festival de Cinema de Gramado, Gabriela Kopp prefere manter os pés no chão. Para ela, estar na seleção do Prêmio Assembleia Legislativa é a maior conquista. O evento, na sua avaliação, será uma oportunidade para reencontrar colegas, ampliar a rede de contatos e acompanhar a produção audiovisual gaúcha. Independentemente do resultado da premiação, o festival será um momento para troca de experiências e aprendizado. “Estou feliz demais só de estar fazendo parte disso”, salienta.
A diretora reforça que a participação de Claudete salienta o protagonismo de Santa Cruz no cenário audiovisual. Além de destacar as locações e a estrutura oferecidas pelo município para produções cinematográficas, ela menciona a qualidade dos profissionais que atuam na região. “Já mostramos e temos mostrado que filmar aqui é sensacional. Mas o que mais faz Santa Cruz se destacar são os profissionais que estão aqui. Somos muitos e somos bons”, enfatiza.
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