Roupas cujo destino seria o descarte ou a incineração tornam-se itens como cobertores, casacos e mantas para bebês
A Associação Grupo do Bem, que atua há mais de 20 anos auxiliando as comunidades em situação de vulnerabilidade social de Santa Cruz do Sul, recebe um grande volume de uniformes doados, mas que não podem ser repassados a outras pessoas devido às marcas estampadas. Foi quando uma artesã tomou a iniciativa e abraçou a causa de transformar tantas peças que estavam guardadas em agasalhos.
Nas mãos de um grupo de costureiras, as roupas, que seriam descartadas ou incineradas, tornam-se cobertores, casacos, calças e até mantas para bebês. O projeto nasceu em 2023, quando a artesã Luciana Kniphoff Knak procurou o Grupo do Bem. “Sempre tive vontade de fazer trabalho voluntário. Conversei sobre a demanda dos uniformes com as minhas amigas que costuram e resolvemos nos unir”, conta.
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Desde então, 15 mulheres se reúnem no condomínio Costa Norte, em Santa Cruz, onde recebem os uniformes vindos do Grupo do Bem. As voluntárias utilizam as próprias máquinas de costura e trabalham unidas removendo as marcas dos uniformes e customizando as roupas que ainda se encontram em bom estado. “Fico com o coração aquecido”, descreve a costureira. “Gratidão por poder contribuir sabendo que estamos fazendo o bem para quem não conhecemos, mas que receberão o nosso carinho.”
As doações são distribuídas pela associação em diversas localidades. Cerca de 3.040 peças já foram entregues desde abril de 2023 até julho deste ano. A presidente do grupo, Luciana Tremea, afirma que, além de colaborar com a sociedade, o trabalho realizado pelas mulheres contribui para a redução dos impactos ambientais.
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“As roupas que iriam para o lixão, em poucos meses, aquecerão as pessoas”, enfatiza. Em 2024, quando ocorreram as enchentes, as peças foram doadas para mais de 80 municípios do Rio Grande do Sul. “Cada pessoa que participa de boas ações é um elo que faz essa engrenagem funcionar,” observa a presidente.
Voluntária há dois anos no grupo de costureiras e moradora do condomínio, Carla Schroeder Wagner conta que já foi escoteira e entende a importância do voluntariado. “Penso que se cada um doasse um pouco do seu tempo para o próximo, nós teríamos um mundo melhor.”
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