No final de uma tarde ensolarada do inverno santa-cruzense, cerca de dez pessoas aguardam o ônibus em uma parada na Rua Gaspar Bartholomay, no Bairro Bom Jesus. Entre elas, encontram-se crianças correndo e brincando, uma senhora lendo uma revista, alguns mexendo em seus smartphones e outros apenas olhando atentamente para o horizonte, esperando ver o veículo coletivo chegar. Essa cena pode parecer normal para muitos. E de fato ela é. Porém, na mesma calçada, a poucos metros de distância, outra imagem também tornou-se comum para quem passa pela via e pelo trevo que fica logo à frente. Três homens sentados em um muro compartilham um cachimbo de crack e, escorada em um poste, uma mulher usa a mesma droga, sozinha e carregando uma mochila de criança.
Como a parada de ônibus lotada em um final de tarde qualquer, a cena dos usuários de crack também se repete diariamente e é vista por qualquer um que transita pela Gaspar Bartholomay ou pelo trevo do Bom Jesus. Pessoas já conhecidas na região se reúnem para fazer uso da droga livremente em via pública.
Esse é o caso de três homens, aparentando ter entre 20 e 30 anos, que estão em silêncio sentados no muro próximo à parada de ônibus. Dois deles olham atentamente o outro, que acende o cachimbo. Ao ver que estavam sendo observados, eles viram a cara. O consumo, porém, continua. Logo a droga é passada de mão em mão. Quando notam a presença de uma câmera fotográfica, levantam-se lentamente e seguem até um terreno baldio próximo, sumindo de vista.
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Metros depois, no trevo, uma mulher está sentada sozinha em uma pedra observando o trânsito com o cachimbo em mãos. Quando vê a reportagem da Gazeta do Sul, se vira, dá mais uma tragada na droga e levanta-se para ir embora. Segundo relatos, algumas das consumidoras de crack das redondezas são vistas oferecendo programas sexuais às margens da BR-471.
Moradores e trabalhadores já se acostumaram com a tal cena e tratam o assunto com naturalidade. Um empresário estabelecido na área confirma que todos os dias, a qualquer hora, é possível encontrar uma ou mais pessoas fumando crack. Porém, ressalta que não tenta combater esse problema social por não representar risco algum para os seus negócios. Relata que, durante mais de um ano em que está instalado nesse ponto, os usuários da droga nunca ofereceram risco para clientes e funcionários.
A Prefeitura confirma a situação e garante que tenta amenizá-la. O trabalho envolve uma parceria entre secretarias e órgãos sociais da cidade. Segundo o secretário de Saúde, Henrique Hermany, existem três pontos críticos em Santa Cruz onde encontra-se um maior número de pessoas em situação vulnerável: Bom Jesus, Travessa Krug, na Pedreira, e o Bairro Schultz. “Nossa avaliação é de que, apesar da gravidade, indicativos apontam uma redução no número de usuários. Mesmo assim, seguimos encarando de frente o problema”, afirma.
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LEIA A MATÉRIA COMPLETA NA GAZETA DO SUL DESTE FIM DE SEMANA
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